Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

.sobre tudo, sobra nada.

Eu tava há dias precisando escrever.
Não sobre algo específico, mas porque isto é tão parte de mim que quando eu fico longe das minhas palavras por muito tempo, eu refaço frases na minha cabeça o dia todo.
Eu sou uma pessoa feita de sílabas, métrica, rima.
A minha vida é sempre feita de receber postais, de sentir saudades das pessoas que atravessaram as fronteiras pra outra cidade ou outro mundo.
É mudar a estação do rádio ou do ano.
A minha vida é feita de grandes amores e pés no chão.
É o bilhete deixado do lado da cama de manhã pra acordar o sentimento todos os dias.
É esperar na porta e se despedir na janela.
É apostar alto, jogar tudo pro alto e recomeçar todos os dias.
Chorar de alegria ou de tristeza, tanto faz. O aprendizado vem na medida que a gente se doa.
Olhar pra cima, mas não tropeçar. E saber que cair faz parte, mas é sempre bom ter amor pra se levantar.
Eu sou o álbum de fotografias antigas, o sentido oposto do caminho.
Aquela que ama os poucos, mas bons.
Que prefere fechar os olhos e guardar imagens na memória e aquela pessoa que quer ficar um pouco mais acordada pra aproveitar tudo um pouco mais.
Dormir e acordar ao lado, assistir seriados de mãos dadas, almoço de família, jantar a dois.
Conselhos de mãe, afago do pai. Minhas saudades todas, minha vontade do futuro todo cheio de novidades embaladas pra presente.
Minha sala de estar, minhas neuras sobre a vida divididas com as minhas tragadas longas no cigarro.
Aquelas coisas todas sem resposta, as dúvidas, os anseios, as perguntas que eu nunca soube fazer, as frases de impacto e aquelas que jamais saem do jeito que eu imaginei.
Meus amores tão intensos. Minha caixinha de correios sempre cheia de olás e adeus.
E é tudo meu. Cada "te amo" cada abraço, cada segredo contado e cada pecado escondido em nós dois.
Não há perdão sem pecado. Não há amor sem perdão.
Todos os passos que damos juntos, todas as cores que só enxergamos em par.
Cada particularidade, cada pequena mania, cada abraço infinito e cada beijo com gosto de coca-cola e chocolate, é tudo meu.
É a minha vida, é o bom dia, sou eu. Cada pedaço meu que eu largo displicente pelo mundo.
Cabeça de vento. Coração nas mãos. Pés descalços na grama. O corpo procurando o calor do outro antes de suspirar e dormir, meu.
E é o barulho, a bagunça, o tititi desvairado dos dias, as noites de boemia e as manhãs de ressaca também. É a minha vida, tudo isso é meu.
É a calçada suja, o lado encardido e sem sono e o café meio amargo pra acordar meio zumbi de manhã.
Minha vida é aquele livro que nunca se termina de ler.
É meu.
E isso tudo é sobre ser.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

.Melhor Cão.


Hoje me despedi de um grande amigo.

Talvez seja a criatura que mais passou tempo ao meu lado.

Ele me levava para o colégio quando eu era criança, me esperava em casa sempre alegre quando eu chegava.

Acompanhou meus melhores momentos da vida. E nos piores ele estava comigo também.

Ah, quantos segredos só ele sabia. Quantas lágrimas ele já viu nestas idas e vindas, tanta gente ele viu partir.

Protetor, ranzinza, chato, querido, bonitinho, mau humorado, comilão. Há quinze anos ele era o meu melhor cão.

Enquanto eu o levava para o veterinário, relembrava com ele de tantos momentos que passamos.

Alguns em que ele simplesmente ficava sentado no sofá me observando, outros tantos que fizemos juntos. "Lembra quando fomos pra praia juntos, amigão?" "Lembra quando você ia me buscar na escola?" "Lembra que todos os dias de manhã você acordava antes que eu e ficava esperando eu abrir os olhos pra fazer festa e me dar bom dia?" "Quando eu te contava dos meus corações partidos e você me olhava mostrando que me amaria de qualquer maneira?" E eu também te amaria de qualquer maneira, amigão. Sempre vou amar.

Enquanto o Tequila urrava de dor a caminho do veterinário, eu pensava que ele nunca se importou se eu estava rica, bonita ou bem-humorada. Ele nunca julgou os meus erros, nunca deixou de ir me esperar na porta quando eu chegava ou de ficar comigo por qualquer outro motivo.

Quinze anos de cumplicidade, de amizade e amor.

Sei que muitas pessoas não entendem como se pode chorar pela morte de um cachorro, que não compreendem toda esta dedicação a um animal. Julgam o mimo e a preocupação que temos por eles, o respeito, e tanto tanto tanto amor que sentia por ele.

Hoje eu estou sim de luto por um grande amigo, talvez o maior que já tive.

Quando chegamos ao veterinário, eu já sabia que sobravam poucos momentos ao lado dele. Segurei sua patinha, olhei nos olhos dele e disse: você foi nobre, amigão. você foi corajoso. nos reencontraremos um dia. amo você.

Ele fechou os olhinhos logo depois, sem dor. Aqui sempre dói a despedida, mas eu tenho certeza que meu amigo Tequila cumpriu sua canina missão.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

.Felicidade esquecida.

Acho que o meu maior medo é esquecer das pessoas que eu amo.
Da voz da minha vó, do rosto da minha madrinha Lola.
Esquecer os conselhos que meu pai me deu, do cheiro do colo da minha mãe.
De momentos que foram só meus...
Tenho medo de deixar cair em algum buraco da memória o jeito que ele segurava as minhas mãos, como me olhava, de como eu me sentia quando estava junto de alguém.
De como abraçar fazia sentido, da última conversa, do último beijo.
Do primeiro beijo, do primeiro abraço e da primeira conversa.
E como os pesadelos não afetavam tanto assim quando eu tinha alguém ao acordar.
De como eu me senti sem ter pra onde ir quando a minha vó morreu.
Das mesmas piadas que eu e meu irmão sempre damos risadas. Da falta que ele me faz aqui em Curitiba. e eu muitas vezes esqueço isso.
Tenho medo de me perder no esquecimento, das pessoas não se lembrarem de mim, de momentos que tivemos.
Eu sou nostalgia.
Eu sempre sou notícia velha, jornal antigo, foto amarelada.
O meu coração tem medo de ser só isso. Medo de se guardar demais nestes detalhes que ninguém lembra, nesse afeto todo que perdemos dia a dia.
E se as lembranças são escolhas, eu fico aqui com as minhas, com os meus dias que acontecem de trás pra frente, olhando lá longe e aqui dentro tudo tão meu, no meu coração inquebrável que sempre marca a hora errada pra sentir.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

.isso de querer.

Só quero ser uma metade no mundo novamente.
Quero minha rotina, meus cachorros insuportáveis, meus amigos, minhas palavras roubadas, minhas frases desperdiçadas, quero fumar meu cigarro em paz, meus vestidos coloridos, minhas flores tatuadas, meu coração inquebrável, minhas fotos de família.
Cheirar as roupas da vovó e sentir um abraço invisível.
Acordar e saber que o despertador vai lembrar de nós.
Quero a minha cerveja, quero reler as minhas cartas antigas de amor.
Quero o bom dia da dona da banquinha em frente de casa.
Minhas músicas, minhas melodias.
Quero a pracinha no sábado a tarde, quero encontrar minhas amigas.
Quero meu livro, meus textos, minhas frases de impacto, meus e-mails de despedida.
Virar as costas num dia de sol e chover por dentro alagando o coração.
Quero cheiro de café, quero nuggets no jantar.
Sentir minhas paixões, meus medos, minhas dúvidas todas.
Quero esta solidão que ninguém rouba.
Quero ver os mesmos filmes de novo.
Dar risada de coisas idiotas, inventar minhas próprias coreografias.
Quero assistir minha tv de madrugada e reclamar da programação.
Quero reclamar. Quero contar histórias. Quero ouvir histórias.
Minhas flores na janela, minhas cores.
Meus perfumes, dançar no chuveiro e escovar os dentes andando pela casa.
Esfregar meus pés antes de dormir, acender a luz do corredor porque tenho medo de escuro.
Quero ser minha metade.
Sorrir para as crianças na rua, fazer minhas caretas.
Quero me olhar no espelho e me encontrar.
Quero cinema, quero cini framboesa, quero comprar coisas que vem com brindes de criança dentro.
Perder horas escrevendo as palavras que estão dentro de mim.
Quero sentir. Quero amar. Quero sim um grande amor.
Quero sentir falta, quero abraçar, dar um beijo antes de dormir.
Comer pizza até não aguentar mais, deitar no sofá com as pernas pra cima, imaginar minhas historinhas com final feliz.
Quero minhas festas, quero minhas fantasias, quero encontrar motivos pra ficar um pouco mais.
Quero a minha pressa, quero a minha vontade, a minha felicidade nas coisas pequenas.
Escrever bilhetes, mandar postais, mensagens.
Quero gastar todos os meus minutos com coisas que me façam bem. Quero lembrar das coisas bonitas. Quero as coisas bonitas e encontrar beleza nas que não parecem ser.
Quero ser. Quero meus super heróis, quero caminhar.
Quero me sentar numa mesa grande com pessoas bacanas.
Quero ser a minha metade sem precisar do mundo de ninguém.
Eu. minha. ser. amar. morrer de amor. sofrer. magoar. aprender a perdoar. viver.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

.felicidade roubada.

Eu tenho pesadelos recorrentes e na maioria deles eu estou perdendo alguém que eu amo.
Mas quando acordo e vejo que era só um sonho ruim e as coisas continuam no lugar, me dá um alívio estranho. Eu sei que não perdi nada, mas passo o dia todo com aquela sensação de perda.
E esta sensação de coração vazio é inevitável.
Eu não sei perder. Eu não sei viver com o coração vazio.
E pra alguém como eu, estes sentimentos tão efêmeros são quase mortais.
Coração quebra, e não há o que fazer.
Me arrasa.
Essa coisa de se sentir como um time que está com a partida perdida e tem que continuar a jogar.
Isso tudo de ter que recomeçar, varrer os cacos e limpar a casa outra vez.
Gostar e desgostar, amar e desamar, desarmar as armadilhas que nós mesmos plantamos pelo caminho.
Machucar os outros, se machucar.
Amor é a única divisão que se soma.
E quando ele acaba ou diminui ele leva inteiro, não metade.

Quinta-feira, Setembro 24, 2009

.felicidade clandestina.


Hoje eu tava lendo um texto da Carol em que ela diz que quando está feliz não sabe escrever.
Pois é. Eu também não.
Eu dou minhas passadas por aqui quando há algum monstrinho em mim que eu preciso libertar.
É difícil libertar a felicidade. Dá medo de escrever sobre ela e algum dia ela se transformar em nada além de palavras contentes.
É difícil dizer, depois de tantos calos e tantas lágrimas, depois de reconstruir tantos corações, esta vontade de estar ao lado de alguém novamente.
E eu sou mesmo assim. Esta tempestade de sentimentos sempre. E quando vem a calmaria, eu já não sei mais como lidar.
E eu só quero estar bem, só quero abraçar e dormir tranquila ao lado dele.
Quero as horas de conversa e perder todo esse medo que dá de não saber direito o que escrever por eu estar feliz.
A verdade é que eu sempre vou preferir morrer de amor a morrer de vontade.
Enquanto eu ensaio aqui as minhas palavras, enquanto eu sorrio com os olhos brilhantes e as mãos quentes, enquanto os planos são só o filme que iremos assistir enquanto a tv nos assiste, eu vou me fazendo feliz com ele.
O eterno não basta no coração, não há como saber o que a vida nos reserva. Mas desta maneira tímida e tranquila eu vou preenchendo esses vazios todos que já eram tão cotidianos e sentindo esta estranha vontade de fazer ele feliz também.
Que venham todos os frios na barriga e os bilhetinhos secretos no café da manhã.

Sexta-feira, Setembro 11, 2009

.curitiba, a cidade fria.


De tanto entregar meu coração pelas manhãs;
A cada porto acordei em um lugar.
Ele viajou mais que eu, junto a você;
E quando voltou eu nem sabia mais usar.

Eis que o acaso te trouxe numa noite qualquer;
Cheguei tão perto do teu coração turista.
Roubando rimas tuas pra agora te dizer;
Que me perdi na boemia, mas não perdi você de vista.