terça-feira, dezembro 04, 2007

Despedidas sem adeus da Bic


Duas despedidas na mesma semana. De pessoas pra quem não pude dar adeus e que sei que não vou mais encontrar na rua pra cumprimentar. Nem ver um deles se formar, o outro que não vai estar na formatura dos netos. Esse trem da vida anda levando pessoas boas demais e o meu portão de embarque está cansado de tantos adeus.

sábado, novembro 24, 2007

[.] texto sem título da bic



Sabe aquela coisa de sentir frio na barriga quando olha? Vontade de ser um pouco mais de tudo pra viver bem mais? De dividir café, montar os quebra-cabeças que estavam bem bagunçados dentro de si, marcar hora e não se atrasar, pegar chuva sem molhar, dormir e nem olhar pro relógio porque o tempo marcado vem do compasso do coração de alguém?
Sabe como é pegar na mão sem largar pra atravessar a rua movimentada, passar a tarde e chegar a noite sem pensar que já é tarde o suficiente pra ir embora sem magoar, chegar em casa e não ter que arrumar as coisas de lugar, sem contar os segundos que faltam pra solidão partir tudo em dois, sem deixar as coisas pra depois, sem nem pensar que alguém chegou bailando e agora sua valsa tem par? Sabe como é? Eu sei.
E se tudo é passageiro, se tudo isso vem tão rápido, prefiro passar este tempo assim. Porque isso é o melhor de mim e eu não sei viver se for em vão.

sábado, novembro 10, 2007

[Bic e a recíproca verdadeira]



Há dias eu não conseguia escrever. Talvez por falta de tempo, quem sabe pelo fato de que nada de tão novo e diferente estivesse acontecendo na minha vida.

Eis que de alguns dias pra cá minha vida está ganhando umas cores diferentes. De espera e ansiedade por um belo garotinho loirinho que vai chegar na minha casa pra bagunçar todas as minhas gavetas e pular na minha cama. Vai me obrigar a visitar o Papai Noel no shopping e assistir Dvd's de historinhas que eu nem me lembro mais. Vai segurar meu cabelo até conseguir pegar no sono, vai pedir que eu segure sua pequena mão até dormir, vai sorrir, vai chorar, fazer birra e brincar.

Este polaquinho da foto vai passear comigo na pracinha e pedir sorvete de chocolate, vai correr atrás das bolinhas de sabão para olhá-las mais, porque ele sabe de alguma maneira que elas são tão efêmeras quanto sua infância.

E ele ainda tem super heróis em sua imaginação. Ele ainda pode tocar as estrelas sem saber quão distantes elas estão, ele ainda pode ser astronauta, jogador de futebol, trapezista, lixeiro, desenhista de quadrinhos, piloto de foguete. Ele pode porque ainda possui a imaginação do tamanho do céu e o chão pra ele é bem mais longo.

Ele vai pular no meu colo pedindo um abraço e vai querer as balas mais coloridas do supermercado. Minhas paredes agora vão ter prateleiras com carrinhos que tocam musiquinhas infernais, o chão vai se iluminar com as luzinhas vermelhas dos tênis que calçam os seus pequenos pezinhos.

E esta espera na sala de estar é por querer que todo o amor nos olhinhos dele seja retribuido. É por saber que este amor possui recíproca verdadeira, pura, sincera, como todo o amor deveria ser. Tanta gente que não sabe o que é amor, e a gente acaba descobrindo nos braços pequenos de um garotinho de 4 anos que isso é bem mais fácil do que imaginamos.

domingo, outubro 21, 2007

this is not a love song

Faz um bom tempo que não contribuo. Como ando sem tempo, e com uma cabeça sem nexo, para postar, resolvi postar esse vídeo-animação que fiz tem certo tempo.


quarta-feira, outubro 17, 2007

As horas


Meia noite e ela sorri. Às quatro da tarde ela anda pelo centro. Conta os passos na escada de casa logo depois das cinco e meia. Nove horas ela se arruma. Da noite? Da manhã? Ela só quer deitar na grama e deixar a formiga passar. Espera o irmão chegar. Planos mirabolantes para executar. Algumas pessoas passando, nenhuma no seu passo de bailarina.

O avião passa por sua cabeça oca. Meia hora se passa sem ela sentir. Conta historinhas sem se preocupar com o relógio. Ela prefere as suas no lugar da sessão da tarde. Se ela contasse todos os seus devaneios, até os mais tolos, eles têm gosto de pudim de brigadeiro. Alguns outros são meio amargos demais.

Nem o monstro do armário causa mais medo. É só fechar as portas. E o bicho embaixo da cama não vem mais quando ela dorme tranquila às seis. Ela dorme e suspira. Acorda sem o horário a arrancar da cama. Ela dança desajeitada pela casa, afinal só o porquinho e o pinguim podem assistir ela dançar às oito.

A menina cabeça oca quer que os caminhos a levem pra perto da rodoviária aonde o irmão chega no ônibus de cometa. Outro dia ele chegou nove horas da manhã do aniversário dela. E ela sorriu e chorou ao mesmo tempo. E ele riu de ver ela ali chorar, e abraçou sem nem falar, sorrindo.

Meio dia despontando logo ali. E ela ainda finge sorrir. Cometa já levou o irmão e a rotina sem planos mirabolantes a sufoca. Ela quer gramado verde, quer cair como as folhas no chão. Quer girar até o mundo ficar no lugar de novo. Quatro horas ela está de coração partido. A fragilidade das horas que passam sem ela ver. Os minutos sempre passam por ela sem dizer adeus. Ela some de novo as duas e vinte e cinco. Ela sempre some assim.

O monstro do armário ainda está lá e ela sabe. Os pedadelos ainda estão no canto escuro do quarto. O lobo ainda assopra pra tentar entrar em sua torre de concreto. Ela pensa que seu muro é alto demais pra alguém entrar. Ela pensa que o único contreto em sua historinha é o prédio que tapa seu sol as seis da tarde. Ela é a princesa que desaba do castelo toda vez.

Faltam poucas horas pra ela chorar sorrindo outra vez. Ela sempre está dois passos atrás do ponteiro, não importa aonde vá. A historinha dela nunca tem fim, nem começo nem algum sentido qualquer. Só as horas a divertem agora. As que passam rápido demais pra ela lembrar.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Sonhando os sonhos da Bic




Era tarde quando ela olhou pela janela. Lá fora ela via as nuvens coloridas dançando no céu e as sombras tentando imitá-las no chão. A noite já empurrava o sol para o Oriente, ela estava ali a esperar sem saber exatamente o que.

Caminhou pelo campo verde cheio de florzinhas coloridas, mas ela gostava mais do capim dourado que estava iluminando a colina. Pisou abrindo pequenas clareiras entre seus pés. Quando percebeu, estava dentro de uma rosa. Lá dentro ela viu como elas, tão pequenininhas, fazem esforço pra exalar perfume. E suas cores matematicamente pensadas para envolver os amantes, os bichinhos que gostam de mel, os poetas e os compositores de belas canções sobre rosas.

Mais um passo e ela estava de volta a sua janela. Os sons dentro de casa pareciam mais densos agora. As melodias incríveis que tomavam conta de seu apartamento. Ela esperava ele ali, entre os fás, lás e dós que bailavam na sua sala.

Ela abriu sua porta e viu uma estrada. Correu sem saber por que. Corria mais e mais, mas parecia que todos eram mais velozes e ela nunca alcançaria seu lugar. Deu um impulso, saiu voando. "Olhem! Eu sei voar!" Quando deu por si, estava no chão de volta. Caiu sem asas em cima de um lago de gelatina. Não havia peixes naquela água. Só pequenos patos azul-metálico sorriam para ela. "Mas patos não sorriem, pensou ela!" E antes de pensar, eles não estavam mais lá.

Ela queria saber aonde ele estaria. Aquele para quem ela teria histórias pra contar, aquele que a ensinaria aonde são feitos os raios e trovões, que explicaria daonde surgem os sons, aquele que a faria voar... Por que não pode vê-lo agora?

Ela caminhou debaixo de árvores enormes formadas de vários tons de folhas verdes, às vezes marrons, outras horas eram amarelas.
Pareciam pinturas, e se chegasse bem perto, talvez pudesse encostar na tinta fresca. Se sentia pequena diante daquelas árvores grandes como os prédios que via na tv, mas sabia que o tamanho não importava, pois se pensasse em ser grande, poderia pegar as flores mais altas da copa, sem nem levantar o calcanhar.

Sentou num banquinho feito de pequenos gravetos, mas forte o suficiente pra aguentar o peso dos elefantes que moravam ali perto. Foi então que ele sentou ao seu lado. Ela se esforçava para ver seu rosto, mas o sol que batia entre as folhas marrons refletia nele agora. O menino sem rosto pegou na sua mão. Ela esperou até que ele a puxasse para seus braços e ali, entre os troncos grandes e o lago de gelatina, enquanto os bichinhos de marshmallow espionavam a cena, ele a beijou.

Então o pavor tomou conta da menina. "Por favor, Sr. sonho! Deixe-me ficar aqui! Não me desperte, não me desperte...não me desper...não...me...des..."

TRIIIIIIIIIIIIMMMMMMMMM

Então a garota acordou para mais um dia entre as buzinas de carro e concreto dos prédios. Ainda lembrou de olhar pra cima e ver as nuvens coloridas, mas o dia nublado deixou tudo cinza. Ela lavou a louça suja na pia, arrumou as flores na mesinha da sala e esperou... esperou... esperou...

quinta-feira, setembro 20, 2007

[Bic e as pequenas coisas de quando era pequena]


Hoje de manhã, voltando para a casa (?!) depois de uma noite com sonhos curtos e bons, passei por uma feira na rua debaixo.

Pensei que se eu for velha, quero ir na feira com minha sacolinha de tecido, porque a feira tem todo aquele charme de ser, tudo tão fresquinho, os cheiros das frutas invadindo o nariz ainda poluído do bar da noite anterior.

As maçãs tão bonitas, as bolachas amanteigadas, as pêras...o gosto delas quando dissolvem na boca. Senti vontade de ligar e dizer que as pêras estavam lindas ali, fazendo contraste com as laranjas ao lado, mas contive o impulso. Já pensou? Cena patética seria eu ligando pra falar sobre pêras.

Seria mais ou menos como no exemplo da noite anterior, quando o menino ensaia pra chegar perto da garota mais bonita da festinha e na hora H de puxar o assunto, escapa aquela frase ridícula e sem sentido e a menina ri, o menino é tomado pela pela vergonha e sai à procura de uma pá, pra cavar um buraco e sair dali.

Mas enfim, só de sentir vontade de ligar já é foda, portanto vou mudar de assunto discretamente e voltar às frutas.

Esses dias eu fui na casa da minha tia. Depois do almoço ela e minha mãe foram pro jardim plantar mais e mais flores por ali. Eu que já estava desconcentrada do Saramago , desisti da leitura e fui até onde elas estavam. Senti uma vontade incrível de pisar na grama. Tirei os chinelos, peguei várias daquelas florzinhas que você assopra e elas parecem fadas bailando no ar.
Fui até o pé de amoras. Estava cheio de amoras pelos galhos todos. Nossa, que sensação, senti o gosto da minha infância, ele estava ali o tempo todo e eu não notei, ou o deixei de lado por algum motivo.

Comi quantas amoras pude aguentar, os dedos manchados de vermelho, sentei-me embaixo dela e pensei em como eu era feliz naquele momento, só eu e as amoras. Eu e as florzinhas de fadas, e outras roxinhas ali no canto, eu e as flores coloridas da minha tia, eu e mais ninguém.
Acho que foi com isso que sonhei hoje. De qualquer maneira foi um sonho bom.





ps: Falando de Feira e de Fruta, foi impossível evitar a comparação cretina:

sábado, setembro 15, 2007

Bic com açúcar [You're my favorite flavor]


"Ela sempre esbarra nas pessoas e tropeça nas pedrinhas.
Ele caminha pisando na grama onde não tem plaquinha.
Ela carrega seus livros e seus sonhos entre seus braços.
Ele chega e limpa seu all star no tapetinho de "home sweet home" na entrada de casa.
Ela canta uma canção que "é perfeita no seu tom" e morria de vergonha de cantar pra ele.
Ele atravessa a rua fora da faixa e ela ralha com ele.
Ela sempre ralha com ele com um sorriso no canto da boca, como se perdoasse mesmo antes de brigar.
Ele chega em casa seguindo o cheiro do café que invade as escadas.
Ela perfuma a sala antes dele chegar.
Ele gosta mesmo é do cheiro da pele dela.
Ela sente o perfume dele no travesseiro e dorme.
Ele fuma seu cigarro na janela enquanto olha a dança engraçada que a fumaça faz antes de dissipar.
Ela acha lindo o jeitinho dele dançar.
Ele sempre a beija antes de dormir.
Ela beija ele com cuidado pra não o acordar."

Escrevi este texto para o meu fotolog, achei digno postar aqui também, pois ele fala de uma maneira singela desse amor "chá com açúcar mascavo" como disse o Victor nos comentários do post anterior. Eu penso que finalmente quero viver um amor sem pretensões de ser tema de música da novela das 8. Esse amor cotidiano e claro, amor de gostar nas coisas banais, de dividir a xícara de chá, de fazer pequenas surpresas, caminhar de tarde no parque e deixar a noite alcançar os dois sem nem notarem a presença das estrelas.

Meu amigo definiu bem o que ele quer esses dias, quando disse pra mim que procura uma "namorada brother". Eu entendi bem o que ele quis dizer com isso, e conclui que também quero um companheiro pra dividir meus anseios e esquentar meus pés nos dias frios, mas de encarar um boteco sem aquele estigma de casal que já sai propenso a um dos dois fechar a cara meia noite e irem embora brigando à uma da manhã.

Quero alguém do meu lado que possa se divertir sem se isolar comigo, que dê risada quando o filme que os dois alugaram é ruim de doer, que tope acabar num programa de índio com os amigos, mas leve isso tudo com humor...quero poder brigar feio e depois fazer as pazes, porque a reconciliação sempre tem um gostinho apimentado...quero alguém de boa, bem de boa, mas que não seja um banana...

É, eu sei, to ficando cada vez mais exigente quando eu peço pra ter ao meu lado alguém tão simples e descomplicado assim.



ps: se alguém tiver, favor me passe o telefone do vocalista gato do The Films:

domingo, setembro 09, 2007

A feliz nostalgia da Bic


Tudo começou quando eu tava tentando encontrar uma foto pra ilustrar este post. Eu queria uma foto de casal que não fosse clichê. Mas casais geralmente são clichês, mesmo quando fogem do convencional.

O Henrique sempre reclama que as minhas histórias são sarcásticas e a maioria delas fala de um amor quase anti-amor. Outras tantas falam de saudade. Numa das histórias que contei sobre minha avó, eu disse que era dela quem eu sentia mais saudades. Depois que ela morreu, percebi que hoje eu consigo lembrar dela mais feliz do que quando ela estava presa naquele corpo inerte e sem memória.

No meio desta nostalgia toda, encontrei muitas vezes essas duas palavras: amor e saudade.
Eu já amei alguém que me dava saudade todos os dias. Ele estava do outro lado do mundo. Quando o amor acabou (ou quase isso) eu comecei a sentir saudades de ter pra quem contar as coisas banais do meu dia. "Estranho é o amor quando já não está". O amor não existia mais quando a saudade virou um costume. Porém, o Henrique e a Raquel vivem sentindo uma saudade que une mais ainda eles dois.

"A diferença entre o remédio e o veneno é a dose." Talvez seja isso. Saudade bem medida é um tempero saudável.

Hoje eu estava pensando do que eu provavelmente vou sentir saudades daqui a algum tempo. Acho que de quase tudo. Dos meus amores impossíveis até as minhas paixões mais reais. Dos meus amigos, de tomar café na cantina com o Leo e o Joseph, de dar risada até a barriga doer com a Camila e a Hellen. Da franjinha e das dancinhas da Ci e da Bia, dos cabelos cacheados e os conselhos sensatos da Ana. Das minhas frenéticas Amanda, Lari e Tali. Do sorriso do John. Da minha designer favorita Gabi. Da risada da Isa. Do humor inteligente do Urso. O mau-humor do Cello. Do colo da minha dinda Cal. Dos meus fanfas.

Dos gostos, das músicas, das noites de rock, dos porres, das tardes na biblioteca da Unicenp, das coisas engraçadas que a minha mãe faz, dos conselhos do meu pai, dos olhos azuis da Vó Zayde e de tudo o que ela é na minha vida. Do meu irmão Henrique (e este me dá saudade o tempo todo)
Vou sentir saudades de todas as pessoas que eu tenho neste momento, todas as coisas, tudo o que eu sempre vivo tão intensa e impulsivamente.

É, aniversário chegando causa essas nostalgias mesmo. Mas eu posso terminar meu texto de hoje do jeito que o Henrique mais gosta: e a Bic foi feliz pra sempre até o último momento deste "pra sempre".

quarta-feira, setembro 05, 2007

[Bole um título pra descrever a amizade] - mion


"Aimona arazol no test o ok/ li tdu kkkk"



"A vida imita a arte". Realmente. Eu conheço as histórias mencionadas dos seres inanimados, pinguins e afins da bic. Sei o quanto elas são sarcasticamente divertidas, ironias a respeito do amor (né?) e tal. E um dia eu me atrevi a desafia-la a um texto feliz ou quase. Ela topou. E me surpreendeu com uma história tão verossímil que parece a minha.

A bic é assim. Surpreende sempre. Quando eu achei que ela não pararia com aquele cigarro maldito, ela me vem com um "parei de fumar faz um mês!" diretamente da lan house maldita.
Outra vez, ao sair de uma cena "tragicômica" em uma loja de pratas e anéis, o passatempo do momento foi observar uma pobre e linda árvore na rua XV. 5 minutos a observar, inertes ao nosso redor total, as flores daquela arte desapercebida aos olhos urgentes dos pedestres malucos da rua...das FLORES, ora essa. Rua da FLOR, vc para e olha a FLOR da rua...DA FLOR, ué...gente afobada. credo.

Sempre precisei dos conselhos impulsivos dela, mesmo eu sendo o irmão mais analítico. Era preciso uma certa dose de coragem pra dar a idéia maior, pra eu poder analisar a partir daquilo. Dar e receber ajuda, faz quase dez anos e sempre estamos assim. Mas quando a gente não consegue sozinho... partimos pros profissionais, né gente...

...alguém aí pensou "psicólogo"? nah...nada disso. Profissionais de dar conselhos, a margem dos livros honestos, os brilhantes mestres do humor nacional e (principalmente) internacional: são eles, Os livros de auto-ajuda. HaH! Quem nunca leu alguma coisa de algum, só pra ter certeza que "ninguem roubou seu queijo, ele continua na gavetinha da brastemp faz 3 dias já, ta na hora de ir no BIG comprar mais..", ou que você não é artista nessa tal "arte de ser feliz/pai rico/bem sucedido/líder/amoros...É!" ou até mesmo as "99 maneiras de dizer eu te amo, usando uma caneta mágica e atóxica no corpo e bexigas, com margaridas ao lado do aeroporto (fácil)"... essa é a nossa fonte, nosso pão de cada crise, é por aí que vamos cumprir nosso plano de ficar ricos e produzir livros pra garotada complexada anos 90/doismil que vem aí.

Eles vão ficar piores que nós, pode ter certeza.
Enquanto isso, nós vamos ficar a rir das pataquadas da inclusão digital, essa beleza que vem vindo ultimamente, nos tempos de hoje.Mais do que nunca, em londres, ou em uma casa com flores na janela. Nós e todomundo que for da nossa família. hahhahahahaha

Essa é uma história de bic e eu. Irmãos por opção. O termo que define é esse aí mesmo.


domingo, agosto 12, 2007

Contando historinhas [Os objetos inanimados da Bic]


Hoje eu pensei seriamente em escrever um conto. Queria fazer uma história que não fosse um roteiro de curta ou de videoclip, como geralmente eu faço.

Queria uma história que começasse com "era uma vez" e terminasse com "...e foram felizes para sempre...". Mas não tenho muita prática em escrever finais felizes, isso é fato.

Nas minhas duas últimas historinhas criadas pela minha mente doentia, matei um cofre de porquinho e levei um pinguim de geladeira a cometer suicídio por causa da pinguinha que se apaixonou por um ímã de espantalho. Meus amigos me chamam de serial killer de objetos inanimados.

Mas a historinha que eu queria criar hoje era na verdade uma cena. Uma só cena mais ou menos assim:

"Ele chegava na casa dela no meio da madrugada úmida, ela lhe abria a porta, passava um café, ele sentava em silêncio no sofá olhando para as rachaduras de infiltração na parede da casa antiga onde ela morava. Enquanto a água fervia, ela pensava há quantos anos aquela cena se repetia.

Ele chegava de surpresa, morava em outra cidade e nos raros momentos em que se encontravam, agiam como se nunca tivessem se separado, como se o tempo parasse enquanto eles estavam separados. Ele chegava, eles passavam boas horas juntos, matavam toda a saudade. De manhã ele ia embora sem dizer adeus.

Ele nunca dizia adeus, talvez por dar a impressão de que logo estaria de volta à sua porta.

Mas nesta noite, ao servir o café e observar a maneira que ele sempre assoprava a bebida antes de levar à boca, o jeito que ele batia a ponta do cigarro na mesa antes de acender, o modo como ele a olhava como se ainda fossem as mesmas crianças do colégio onde se conheceram, ela sentiu um estranho afeto por ele.

Pensou que naquele momento ao lhe observar, eles eram tão um do outro como quando tinham dez anos. Uma sensação de incrível conforto a envolveu, ele a puxou para perto dele, e em seus ombros ela repousou. Sentiam da mesma maneira naquele segundo. Sentiam que o segundo de amor entre os dois era eterno, por mais que ele partisse sem se despedir pela manhã e ela seguiria sua rotina de segunda feira, e ele da mesma forma.

E de fato, pela manhã ele foi embora sem dizer adeus. Ele sabia que ia voltar para o lugar aonde ele mais encontrava amor, e ela sabia que ele ia voltar para amá-la novamente. Assim eles eram felizes para sempre, à sua maneira."

Bom, eu particularmente gosto das minhas historinhas de pinguins, cofres de porquinho, bichinhos imaginários que criam vida na minha estante e na minha imaginação, mas às vezes é interessante fazer histórias quase felizes de pessoas quase reais.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Resposta [As cartas perdidas da Bic]


"Escrever cartas de amor sem destinatário. Esperar uma resposta mesmo assim."

É estranho como de repente as coisas que você mais acreditava no mundo desmoronam na sua cabeça. Aos 7 você descobre que Papai Noel não existe, aos 9 descobre que seus pais não têm um casamento tão perfeito como nos desenhos que fazia no colégio, aos 15 descobre que aquele professor por quem você é apaixonada é casado e nunca vai te dar bola, aos 18 você tem certeza que não é tão legal assim ser maior de idade. Aos 20, descobre que os mesmos problemas que você tinha com 7 ainda existem, só que agora são maiores e mais difíceis de se resolver.

As coisas não mudam muito. Mudar as pessoas não é fácil. Mudar a si mesmo é ter que olhar para dentro e ver todos os defeitos e fraquezas que possuímos. É tarefa dolorida e difícil de encarar. Ver que já fez alguém chorar, que já falou sem pensar, que não teve pena do outro e que não soube perdoar.

Somos seres medrosos, é fato. Sentimos medo de nos envolver, temos medo de decepcionar os pais, os filhos, os amigos. Sentimos medo de decepcionar a nós mesmos, chegar ao fim da vida e ver que tudo o que vivemos foi vão e sem sentido. Sentimos medo de ser.

Quem nunca acreditou nas palavras de alguém e depois deu de cara com a porta? Quem nunca achou que um amor era pra sempre levante a mão!
Quem nunca se apaixonou perdidamente por alguém e depois achou aquela pessoa uma mala sem alça? Quem nunca ouviu ou disse "te amo" sem fazer sentido algum aquela frase?

E se, aos 7, acreditávamos que o papai noel existia, é porque ele era real. Em algum momento foi real. Então quer dizer que quando nos iludimos, em algum momento aquilo tudo existiu?
Sim, creio eu. Se somos controlados pela nossa mente, quem somos nós pra julgar as nossas ilusões? Por mais que um amor jamais tenha saído de dentro da sua cabeça, você o criou. É válido e puro da mesma maneira.

O problema é acordar de manhã e ver que nada daquilo era exatamente como pensávamos. Esse "nada" sempre fode. Esse vazio depois da ilusão é o que machuca. Você superestimar seus sentimentos e depois perceber que, assim como o papai noel, eles só estão na nossa mente.

É assim mesmo. Aquele garoto do colégio ainda existe, o papai noel ainda está no shopping tirando fotos com crianças, o professor perfeito ainda é alvo de olhares platonicamente apaixonados das alunas.

E eu continuo dançando com meus pensamentos. Escrevendo cartas que nunca mandei, me decepcionando ao descobrir que o Papai Noel não existe e que o menino bonito da escola nem sabe que meus pensamentos são dele.

domingo, julho 29, 2007

No Surprises [É, a Bic]


Às vezes a gente se enxerga assim mesmo. Só pedacinhos de reflexo da gente mesmo. Somos feitos dessas pecinhas, e muitas vezes, o nosso coração fica assim também.

O duro é quando não conseguimos juntar todas essas partes pra definir o que faz sentido pra ser.
Eu sempre fui a parte estranha do espelho. A que prefere o roxo berinjela à rosa, aquele feio que ninguém olha ao invés do gatinho do colégio, aquela roupa esquisita ao invés da blusinha da moda.

Não é à toa que meu quarto é cheio daqueles objetos de 1,99 horrorosos e feitos de gesso. Todos eles têm sua beleza. Seja por serem engraçados e bizarros, ou por serem simplesmente diferentes.
Eu poderia encher a casa de belos cristais, mas que graça teria ver beleza no belo?

Eu nunca fiz questão absoluta de ser diferente. Na verdade eu sempre fui mesmo. Mas assumir a condição de ser fora do padrão nem sempre é um caminho divertido e fácil.

Mãe pega no pé, colegas de faculdade rotulando, gente olhando torto, chefe manda tirar o alargador da orelha pra trabalhar, etc etc etc... [insira muitos etc's aqui]

Na real todo mundo gosta de criticar. Eu particularmente adoro. É normal do ser humano sempre apontar pro outro pra falar que aquele alguém é assim e assado.

Daí criamos uma massa acéfala que assiste ao Domingão do Faustão, acha a Juliana Paes uma musa, que jura que o cinza é o novo preto. Pra compensar, nascem os pseudo-qualquer-coisa que querem fazer e acontecer pra protestar contra sabe deus o que e lá e blá blá blá indie e emo e blasé e somos dominados pela mídia e eu não sigo padrões e etc etc etc [insira muito mais etc's aqui]
É, é assim mesmo. Ser ou não ser, viver ou não viver fazer ou não fazer. "E se comentarem sobre a minha roupa?" "E se alguém não gostar?" "E se eu me arrepender de fazer isso?"

Sempre o outro. E acabamos nos tornando uma massa "normal" ou uma massa "alternativa".
Vale lembrar que no fim é inevitável, todos acabam de mãos cruzadas à 7 palmos do chão. Faça o que fizer pra ser igual ou diferente durante essa passagem efêmera pelo mundo, tudo vira pó no final.

sexta-feira, julho 20, 2007

Abstração

Busquei ultrapassar os limites ordinários brincando de metafísica no toque das cordas do meu violão. Sonhei que era poeta das palavras, do som dos acordes. Pus-me em harmonia com a sonoridade. Tornei-me um som intenso através das mãos, tocando o abstrato, à solidão. Tocando onde tinha vontade. O corpo, a alma e a ilusão. Brincando de ultrapassar a realidade determinada, fiz da metafísica mais que uma palavra. Ninguém via quando eu entrava, se ficava ou, se saía. Transmudei minha alma para a melodia.

quinta-feira, julho 19, 2007

Frio coração quente da Bic


Existe um céu inteiro de possibilidades pra nós. Existe um vazio enorme pra caber todos os nossos erros e mágoas.

É como viver em um bloco de gelo enorme, por onde temos que passar pra chegar mais perto dos nossos desejos. As pessoas são enormes blocos de gelo, somos todos icebergs esperando por alguma coisa que nos aqueça e derreta toda essa carcaça pesada que aumenta todos os dias.

Chegar perto do coração de alguém, ouvir as batidas e o compasso dentro do peito, deitar e ver as estrelas que achávamos poder tocar quando éramos crianças.

E realmente, crianças podem tocar os astros e o coração de alguém, pelo simples fato de que na infância acreditamos mais nos nossos sonhos, porque o céu é mais aberto e o gelo que carregamos é bem menor.

segunda-feira, julho 16, 2007

Leave me like you found me [A rotina da Bic]



Olhar pela janela. Perder a hora. Andar sozinho. Dançar sem ritmo. Passar café. Passar o tempo. Quebrar o cofrinho. Rolar na grama. Deitar na cama. Caminhar sem rumo. Acordar cedo. Pensar que é tarde. Regar as plantas. Chegar atrasado. Fotografar desfocado. Filmar os sonhos. Ouvir música. Fazer jantar com um só lugar na mesa. Perder os sentidos. Encontrar amigos. Pagar meia entrada no cinema. Encenar os diálogos. Enxaguar os pratos. Esfriar o chá. Esquentar os pés. Lavar bem as orelhas. Enxugar entre os dedos. Secar as lágrimas. Pensar em alguém. Esquecer. Lembrar. Amar um pouquinho. Viver um pouco mais.

Namoro de All star

Cadê?


segunda-feira, julho 09, 2007

Sorte de hoje: Seu maior sonho vai se realizar

Vi essa sorte de hoje, e fiquei pensando qual seria esse sonho que iria se realizar.
Não que eu acredite nessas sortes de hoje falcatruas de orkut, mas foi bom pra pensar.

Meus sonhos, há algum tempo, eram inocentes e bobos. Não digo isso pra enfeitar o texto, é porque eram mesmo. Casar, ter filhos, e criá-los de forma diferente..de uma forma um pouco mais amigável em relação ao modo que eu fui criado, ter um carro e tal.

Daí veio a vida de sampa. Tudo era bem diferente por lá. Os amigos são diferentes, te tratam diferente. Os abraços são BEM mais escassos que na terra das "pessoas frias" que eu vim.
As paixões foram menores, mas nem por isso desisti e encontrei um amor novo nesse turbilhão seco. Pra coroar, minhas falhas de caráter se mostraram a mim, e eu me espantei.

Meus sonhos antigos morreram em boa parte. Simples assim. E meus "sonhos novos" não vão muito além do lado profissional ao qual sou direcionado na faculdade, minha grande responsabilidade e fardo.

Meu maior sonho vai se realizar? Meu maior sonho, nesse momento, é ter alguns sonhos antigos de volta. É poder querer coisas como antes, ter pessoas legais por perto, amigos pra dividir uma casa, e sim, ter as lendárias flores na janela da cinzenta selva de pedra chamada são paulo.

De um modo mais urgente, meu maior sonho era poder levar algumas pessoas comigo nessas férias e estar em casa. Pra elas me fazerem forte o suficiente, de modo que eu saiba ser capaz de enfrentar sozinho tudo de novo a partir de agosto.


Traduzindo, acho, meu maior sonho a ser realizado instantaneamente é matar as saudades.
(pato fu - sorte E azar)

domingo, julho 08, 2007

Bianca Maria Mercedes Do Bairro


Às vezes eu acho que minha vida foi escrita por um roteirista de novela mexicana.

domingo, julho 01, 2007

HAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA



"Não se preocupem rapazes! Eu mesmo coloquei esse documento aí. Esse documento não prova nada, ele só prova que o coringa é um filhodaputa!"


Dentro em breve e, com algumas inspirações em andamento, textos meus aqui.


E não adianta dizer que não sabe quem eu sou, que eu passo o LICO de cair pinto!

GREVE DE BLOG [Até o Henrique aparecer por aqui!]

sábado, junho 30, 2007

O pequeno planeta da Bic


"As pessoas grandes são estranhas, disse o principezinho antes de continuar a viagem."
(Le petit Prince - Saint - Exupéry)

É isso.

terça-feira, junho 26, 2007

Ontem eu sonhava [ Hoje eu nem durmo ]

Músicas bonitinhas. Melodias legais. Sonhos agradáveis.

O legal é quando a gente não quer acordar de manhã porque estava flutuando entre o concreto dos prédios. Mas a calçada sempre chama, o despertador chama, o chefe chama bem no horário do cafezinho com pouco açúcar.

O cigarro sempre acaba no meio das conversas mais bacanas. Aquelas sem pretenção alguma de ser. O chá sempre esfria em cima da mesa quando ele conta o tempo pra gente ir. E nesse ir e vir de palavras, elas esbarram nos ouvidos da maneira que não queremos escutar. Isso porque temos o péssimo hábito de tentar adivinhar as frases alheias.

É sempre assim mesmo, é o ônus de sonhar. Quando a realidade vira um filme trash e você nem sabe se a sua vida tem algum roteiro. É fato que vida não tem caminhos certos. E o tempo que faz sentido ficar ao lado de alguém não tem uma imagem enquadrada e nítida.

Eu ando enxergando meio embaçado mesmo. E esse caminhar meio míope é o que me faz tropeçar tanto. Uma amiga minha sempre diz que eu não sei olhar pra minha felicidade com olhos de momento.

Eu conto os dias pelos sentimentos, é fato. Talvez por isso eu seja tão intensa nas minhas atitudes. Sei que isso acaba atropelando os outros, mas é meu jeito de encarar a vida. Ouvi alguém dizer que nem pensa mais na vida, porque isso sempre o deixava melancólico. Eu penso muito na vida, penso nos meus desejos, sonho muito. Não por me alienar desta maneira, mas como meu pai sempre diz: Sonhar é precipitar as sensações.

Eu continuo sonhando, sigo bailando pela vida, outras vezes eu corro por ela. Mas se eu corro é pra poder chegar mais rápido perto de alguém. Esse alguém que é dono do sorrisinho no canto da boca. E faz brilhar os olhos só de ver. Ele nem sabe o bem que me faz. Mas ele sabe sonhar também. E a bailarina dorme mais um pouco, só pra sonhar um pouco mais.

terça-feira, junho 12, 2007

Se é assim, quero sim [Acho que vim pra te ver]

A caixinha de músicas tocando uma melodia tão distante. Vontade de dançar os meus sonhos todos. O compasso das canções de amor feliz, a felicidade de ver alguém feliz e isso bastar pra gente querer ser quase feliz, ou menos triste.

É querer acordar pra ver ele, querer dormir cinco minutos além pra sonhar mais.

É escrever por ser legal contar sobre aquelas todas coisas tão banais, porque a gente gosta mesmo nas coisas banais, os grandes motivos nunca são suficientes.

Arrumar o cabelo, o rouge, a boca. Os desejos de gostar, a vontade de ser recíproco todo esse anseio de querer ver.

Reparar nos jeitos, nas listras, nas entrelinhas, nos espaços vazios entre uma palavra e outra.
Ah, todos os clichês do mundo. E eles são tão gostosos.

Esperar o dia passar, arrumar a sala e fazer café. Passar a roupa, o tempo e a vontade que não passa.

Esperar pelo olhar, ver de longe, ir lá só pra observar o jeito dele passar a mão pra ajeitar o cabelo, bater a cinza do cigarro, olhar pela janela numa noite quente.

Desejar só andar pela grama, sentar debaixo de uma árvore, olhar as mãos e querer tocar.

Preencher todas as melodias com letras de romances tolos, gostar de sorrir por alguém.

E esse querer é mais que só possuir, é mais que despir só roupa, sem alma. É platonizar todos os amores em um só. Girar pelo salão antes vazio, desejar beijar o bonequinho e esquecer que as bailarinas existem.

sexta-feira, junho 01, 2007

Veja bem, meu bem [Texto pra não entender a Bic]

Olho você hoje como se fosse um brinquedo que desejei tanto, mas não funcionava direito. Deixei dentro daquela gaveta de tranqueiras infantis. Às vezes eu vejo ali no meio dos meus devaneios, mas não tenho mais vontade de girar a corda pra ouvir a canção que tocava antes.
Eu era aquela bonequinha que você viu passar, com o vestido mais bonito de baile que já tive. Mas chegou a bailarina, ela dançava sem os pés no chão, ela não te deu a mão, ela não te acompanhou na valsa sem par.
Minha caixinha de músicas tem aquela canção. Aquela toda de fazer chorar. Aquela sem letra, sem ritmo, sem sim, nem não. 
E na parede da casa ainda tem os carrinhos de controle remoto que faziam as tardes de corrida agradáveis, tem os bonequinhos de chumbo sempre longe da bailarina. Agora é do teu controle que eu perdi as pilhas, devo ter colocado em algum outro brinquedo que falava coisas bonitas.
A boneca perdeu os sapatos pelo caminho, a Cinderela fugiu do baile antes de aprender a sorrir. Deu meia-noite, a noite começou no meio da festa, os reis e os bobos rodavam pelo salão. A bonequinha estava lá, você do outro lado. Paralelos são assim mesmo.
O dia sorriu meio tímido. O frio congelou as plantas e a nossa lasanha congelada no freezer.
O café ta pronto, mas o brinquedo ainda dorme. O frio consome, e a cama vazia.
Ninguém pra arrumar a mesa, nem a casa, nem a dor. Os pratos sujos na pia, o horário amarrado aos pés. Caminhando sempre dois passos atrás do tempo, atrasado, tempo perdido. A noite chega outra vez, a gata borralheira esquece de aguar as plantas, se arruma pra ele e sai.
Ele pensa na bailarina, ela torce pra bailarina errar o passo e cair no chão. Os reis e os bobos de volta ao salão, a noite termina embriagada. Ela tira os sapatos de cristal, devolve o bonequinho de chumbo sem coração na gaveta e dorme pra sonhar com aquele que fará a sua valsa ter par.

sábado, maio 26, 2007

Só levo a saudade...[mion-bic reply]

Ir embora é uma espada de dois gumes.
Já tanto li de gente que fica, e nesses textos parece tão cruel o ponto só de quem vai, e quem fica é quem sofre... mas não é bem assim.

Nunca foi muito fácil, tampouco escolha, ir embora de lugar algum pra mim.

Quando eu era menor, e queria ficar em Foz pra além de férias, era arrastado aos berros pro carro. Quando eu queria ficar em Curitiba, pintou a oportunidade de fazer ESPM pela terceira e última vez. Vim relutante, sem saber se era aquilo mesmo que eu queria fazer, e com o coração na mão. Só me dei conta do que havia feito realmente quando sentado sozinho na pequena cama do quarto da pensão, vazio e sem nada, ouvi o distanciar do carro dos meus pais.

Aí chorei bastante.

Vi que não foi fácil chegar, pois me estabilizar foi complicado. Em um ano de idas e vindas a Curitiba - muitas dessas foram como as que a Bic descreveu, despedidas sem cara de tal, como se logo fosse aparecer de volta. Assim é mais justo, em alguns casos. - arrumei mais um lado pra ir embora. Limeira.

Agora além de Curitiba e Foz, tem Limeira. Esse lado é o mais novo de todos, e é o que tem mais me marcado por enquanto. Eu sinto uma falta tremenda de uma parte de Curitiba - os amigos, as saídas, as risadas e o frio - mas o resto não. E esse resto não vale a pena ser citado. Não tenho saudades.

Mas limeira tem meu amor. Meu amor, o amor novo, um partir que dói de outro jeito. Entrar no ônibus é uma sensação que eu adio até o último instante, tanto que eu coloco minhas coisas e fico na porta me despedindo até que o motorista passe por mim.

Eu vou pra sampa com um travesseiro embebedado de perfume, por não conseguir ficar tão longe assim de algo bem presente. Chego em casa, tem scrap dela, da bic, e de bons amigos.
Tudo isso me move, me dá motivos pra seguir levanto porrada da solidão, pra caminhar e enfrentar com vontade toda a dor da saudade....

..é tudo o que vale a pena...


Agora alguém me considere um crápula por ter que ir embora de tantos lugares e queridos e lugares queridos!

-Vamos!

quinta-feira, maio 24, 2007

Frio coração quente [Bic e o frio curitibano]

Mais um dia frio. Na minha faculdade deve estar uns 2ºC mais frio que no resto de Curitiba. Hoje eu sinto mais frio ainda. O coração anda mais frio, descompassado.

(Frio só é bom quando vamos tomar um café ao lado de pessoas que te fazem bem. Fiz na segunda feira isso, ao lado de alguém que me faz rir. Amanhã pretendo também encontrar uma boa amiga. E sábado irei tomar chocolate quente com as melhores amigas. Isso é ótimo e faz bem.)

Ontem me despedi de um grande amigo que está indo viajar. E como eu já sou escolada em despedidas, sei que seis meses, um ano, não passam rápido. Pelo menos quando se trata de pessoas que gostamos.

Não há um jeito bom pra se despedir. Queremos sempre falar mil coisas, desejar boa viagem, dizer o quanto aquela pessoa é importante, seja amigo, mãe, pai, irmão.

Mas geralmente as palavras não fazem muito sentido em uma despedida. A ficha só cai uns dias depois, quando a gente percebe que não é mais tão fácil ver aquela pessoa. Que no final de semana você não vai o encontrar, que por muito tempo não terá companhia para aquele cigarrinho na varanda fria da faculdade.

Eu prefiro despedidas sem adeus, pois parece que aquela pessoa nem foi embora. Por outras vezes, poupar a despedida é evitar mágoas. Eu sempre acabo indo embora da vida das pessoas sem me despedir. Não faço por mal, nem porque não sou corajosa para enfrentar o adeus, mas porque às vezes explicar o porquê das malas prontas na porta é quase uma redundância. Se não dá mais certo, se a pessoa só te faz mal, se você está sendo nocivo à alguém, é melhor ir embora sem falar mais nada.

Los Hermanos tocando nos ouvidos gelados, chorar em dias frios quase congela. "Sei que a tua solidão me dói"

As palavras hoje estão mais úmidas que o normal. Nossos erros normalmente doem, mas no frio eles cortam os dedos.

Uma vez questionei um amigo meu que sempre se mudava de cidade, se ele não se importava com as pessoas que ele deixava pelo caminho. Ele respondeu "as pessoas sempre vão embora".

Hoje fui embora da vida de alguém. Não, não é do meu amigo que foi viajar. Este sempre será amigo em qualquer país ou planeta. Ir embora é quando você tira alguém definitivamente do seu espaço. Alguém que só te faz mal, mesmo sem perceber o quanto te magoa. Essas pessoas não merecem espaço na sua bagagem.

Hoje estou mais leve. Este peso eu já deixei no chão. 
 
"Minha flor serviu pra que você 
achasse alguém
 
Um outro alguém que me tomou o seu amor
E eu fiz de tudo pra você perceber
Que era eu..."
 
"diz pra mim
se vale a pena amor
a gente ria tanto desses nossos desencontros
mas você passou do ponto
e agora eu já não sei mais"
 
"não dá mais pra fingir que ainda não vi
as cicatrizes que ela fez
se dessa vez ela é
senhora desse amor
pois vá embora por favor
que não demora pra essa dor
sangrar"
 
 
"Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra
vez? "
 
"Não há porque chorar por um amor que já morreu 
Deixa pra lá, eu vou, adeus 
Meu coração já se cansou de falsidade"
 
É isso...Los Hermanos entre aspas me poupam de falar o que estou sentindo agora.

sábado, maio 19, 2007

O baú da Bic

Estou com vários textos pela metade aqui no pc. Por algum motivo, não ando conseguindo terminar nada. Nenhuma conclusão, nenhum final.

Acho que é porque eu ando numa fase meio "sei lá". Várias pessoas reaparecendo na minha vida, e algumas outras tantas que não consigo tirar do meu caminho. Essas coisas de coração ficaram em segundo plano. Não porque eu me perdi nos meus sentimentos, mas simplesmente elas não estão cabendo no meu momento.

Engraçado como a gente se expõe quando escreve num Blog. As pessoas acabam me conhecendo mais do que eu imagino quando lêem os meus textos. Sempre se identificam com algo. Mas dificilmente deixam comentários aqui. Falam pessoalmente depois.

Então, já que comecei a minha caminhada rumo à exposição nua e crua da internet, vou contar o que eu estive pensando enquanto escrevia este texto. Ah, que fase sem romance. Alguns momentos, mas só momentos de passear domingo na feirinha de mãos dadas com alguém. Depois, dia seguinte, tudo na mesma frieza cinza de Curitiba. Eu gosto de passear. Adoro.

Esses dias eu participei da cena mais bonita e singela dos últimos tempos: estava de mãos dadas no meio dos livros da feirinha, e o ipod tocando a trilha sonora da Amelie Poulain. Foi incrível, as pessoas passando, o sol de meio dia refletindo um dia azul, um abraço e a certeza de estar compartilhando aquele momento sem precisar falar nada.

Adoro cenas assim. Uma outra que marca esses momentos foi uma noite no carro do Henrique, passando pelo museu do olho, todas aquelas cores numa noite clara e tocando Santa Chuva dos Los Hermanos ao vivo. Como é melhor amigo e temos toda a cumplicidade de olhar e entender o valor de uma cena assim, ficamos em silêncio, coração apertado, só assistindo ao nosso filme ao vivo e que ninguém mais teria fora nós.

E você, do que se lembra? Convido nossos caríssimos leitores para uma viagem interessante agora. Você talvez não se lembre quem foi a sua primeira professora, mas jamais esqueceria daquele primeiro amor de colégio. Você deve se lembrar do cheiro de brigadeiro nas vésperas das suas festinhas de aniversário, por mais que não tenha a mais pálida idéia do tema que era a sua festa de 5 anos. Eu me lembro da minha vó, ela não se lembra mais de mim. Eu me lembro daquele abraço de adeus que parecia ser temporário, mas acabou se tornando eterno. Me lembro do gosto de cabo de guarda-chuva da ressaca do meu primeiro porre.

Eu me lembro das margaridas na entrada da casa onde fui criada. Lembro do jeito que eu amassava a roupa da minha mãe enquanto ela me segurava no colo quando eu era pequena. Ainda me lembro de como era acordar ao lado de alguém que eu amava. Lembro também dos passos sem chão que eu dei logo depois que eu deixei um grande amor no portão de embarque do aeroporto. Com certeza eu vou lembrar do dia em que fui de vestido longo ao Retrô depois da formatura da Bia. Lembro da primeira vez que eu almocei com a Ana e a Ci. Eu me lembro da primeira vez que eu vi alguém e senti borboletas na barriga, mas não recordo de como foi a última vez que eu vi essa pessoa.

São essas coisas que fazem a vida ser mais colorida. Pequenos detalhes, as coisas que na hora parecem banais, mas que nos tornam pessoas mais legais quando damos valor à essas coisas. Eu adoro as minhas lembranças e as trato com muito carinho quando tiro o pó delas antes de guardá-las no meu baú outra vez. Faça isso periodicamente, talvez isso mostre como é legal viver.

quarta-feira, maio 02, 2007

Via Guanabara-Tietê (expresso fezes)

TCU aprova trem-bala entre São Paulo e Rio

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na quarta-feira o parecer de viabilidade do Trem de Alta Velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro. O TCU, no entanto, fez algumas ressalvas ao projeto original e determinou que a obra deverá ser executada em regime de concessão de, pelo menos, 35 anos. O objetivo é não utilizar recursos públicos devido na obra, que tem custo estimado em R$ 19 bilhões.A informação é da rádio Jovem Pan. O trem-bala tem um de seus modelos utilizado pela Inglaterra e França na travessia do Canal da Mancha. A velocidade da composição chega a até 405 km/h. Com isso, a viagem entre as duas capitais brasileiras será feita em pouco mais de uma hora.

Redação Terra


Pergunto a esmo em quanto tempo será finalizada tal obra. Penso que se depender do desvio de verba, a obra começará em breve e terminará assim que meus netos concluírem a faculdade. Podendo, então, cursarem a pós-graduação em Sampa.

Mas gostaria mesmo que fosse ligando Curitiba-Rio, pois assim poderia ir discutir ‘filosofia-barata’ com os outros membros desse Blog. E, de quebra, convocar a postar com mais freqüência neste poeirento antro.

terça-feira, maio 01, 2007

extemporâneo (airtour)

Seu tempo livre: como você o anda gastando? Anda para qual lado enquanto tenta pensar?
Cadê os políticos que você elegeu? Faz idéia de onde está se metendo; com quem está lidando?
Quais são as pretensões que você traz? O que pretende da vida? O quê a vida pretende?
Qual o sentido da fobia? Da fábula? Da raiva? Do ódio? Das gravatas? Dos sonhos? Do nada?
Das válvulas? Será que é vazio? Será que existe além da caixa? Gosto de ser bobo só por ser e não ser nada?
Será que nem pergunta? Por nada.

quarta-feira, abril 18, 2007

A minha classe em resposta ( Artur = sujeito homem)

“E se algum homem tentar explicar as suas lágrimas, alerto: é mais fácil ligar a TV e esperar que descubram a solução para os Tsunamis!” Bic Muller

Homem que chora é bicha, é um molenga ou efeminado. Assim disse a má língua, e não fora a de um homem em pleno exercício, talvez pudesse falar tal coisa um adamado. Aquela dama de aparência rude, que insiste em se fingir macho, na estratégia errada do mexerico.

Todo homem, conforme vai crescendo, aprende a lição do fingimento. Quando filhotes, a maioria de nós, sujeitos machos, ouvimos que não devemos chorar. Que não pega bem chorar, que chorar é coisa de ‘viado’ e tudo mais que tenha o mesmo valor. E nossos educadores em ‘sábias palavras’ nos dizem para engolir o choro, para nos comportar como rapazes e não como ‘mariquinhas’.

Essa educação não é oferecida apenas através de uma voz máscula; as mulheres também nos ajudam na arte do fingimento. Aprendemos a fingir principalmente por elas, por uma questão de aparência que o instinto primário das selvas sempre nos irá exigir. Elas querem a força, temendo-a ou não, querem o que lhes falta(va).

Ser homem não é nada fácil. Nós choramos a vida com o punho, socando a nós mesmos dia após dia. Pra engolir o choro e provar que somos capazes de proteger enquanto um abraço, quando talvez tivéssemos a verdadeira vontade de sentar no colo e chorar como as crianças...

Estamos em desvantagem com o choro maternal, não temos ventre e somos paternos. Não carregamos o feto durante nove meses (ufa!). Não veríamos os nossos filhos irem para a guerra, pois estaríamos no mesmo campo de batalha. Pois uma parcela de vocês merece o nosso choro preso, que é aquilo que nos impulsiona a fazer guerra, e a história de muitos líderes mostrou isso...

- Então, não generalize. Fale das parcelas.

A parcela que não é de macho, a parcela que só finge, mas que não possui sujeito homem.

Homem não explica o choro. Homem de verdade, quando encontra com a mulher e a hora certa, permite que a lágrima surja quase que petrificada para escorrer discretamente pela face. E não explica.... As confunde, positivamente, mais ainda...

segunda-feira, abril 16, 2007

Lágrimas demais. [ Bic e seu pseudônimo revelado]

Já vi fenda na Terra se abrir e engolir cidades. Vi vulcões transformares civilizações em pedra. Já assisti até uma onda gigante arrastar milhares de pessoas rumo ao nada, mas juro, nunca vi espetáculo maior e mais devastador que as lágrimas de uma mulher.

Elas quando choram, exprimem as dores do mundo. São todo o suor de Deus, que gastou mais de seu trabalho as planejando, que para construir o resto do Universo.

Suas lágrimas podem ser um bálsamo, quando entre elas há um abraço de perdão. Ou uma condenação que, diante de uma briga, nos quebram em mil pedaços.

Mulher chora à toa. Choram em novela, em comercial de margarina, em casamento de amiga, choram felizes, choram sozinhas.

Não é possível não fraquejar diante das lágrimas de uma mãe. Elas choram porque são mães. Acredito, inclusive, que as lágrimas das mulheres sejam fabricadas em seus ventres.

Pode ser choro mimado, com direito a beicinho, ou aquele choro magoado que sai do fundo dos seus olhos. Pode ser a lágrima o ponto final de uma briga, ou o começo de uma discussão.

Se as lágrimas das mulheres mães ganhassem guerras, não haveria guerras, pois cada bomba mata milhares de filhos, de mães que vão chorar por eles.

Cada lágrima guarda uma fórmula secreta, de amor, euforia, cansaço, ou tudo junto. Todos os sentimentos que tornam as mulheres incompreensíveis, indecifráveis, únicas.

As mulheres quando choram, derretem um pouco delas mesmas, de suas essência mais abstrata, de suas almas, e os homens apenas assistem mais um espetáculo da Natureza.

E se algum homem tentar explicar as suas lágrimas, alerto: é mais fácil ligar a TV e esperar que descubram a solução para os Tsunamis!

(Bic em Danton Seiller)

“Lágrimas demais por você

Mas você sabe, meu bem

Que eu choro por qualquer bobagem..”

(Bianca Muller)

domingo, abril 15, 2007

A gente é tão feliz quando se engana [ O coração partido da Bic]

Sabe quando você cria expectativas com uma pessoa? Acha que ela é legal, de verdade, diferente. Até que um dia, com seus próprios olhos você enxerga o quanto se enganou. Vê a pessoa que você achava diferente com outra pessoa.

Daí então você não sabe se o erro foi seu, se superestimou a pessoa, ou se ele mostrou mesmo ser uma coisa que não é.

“Me desculpa!” “Eu não sei porque fiz isso” “Eu to passando por uma fase difícil” “bla bla bla bla bla” .

Nenhuma frase naquele momento é a que você quer ouvir. Acho que não tem frase alguma pra uma coisa dessas, porque é muito da gente que se perde num instante.

A gente pode gostar de uma pessoa em um segundo, pode confiar nela em um dia. Mas se essa confiança é perdida, é difícil demais relevar.

O assunto traição é muito clichê. Talvez o mais clichê depois de falar sobre amor. Não tem muito como mudar este roteiro. Mas é verdade que isso é bem relativo.

Se alguém fica com outra pessoa num momento de impulso, acho válido sentar e conversar. Mas se rola uma premeditação nisso, ah, daí é foda de engolir.

Se você está com um pensando em outro, pode se sentir uma merda de pessoa. Você, por puro egoísmo ta prendendo um caso não de certo com o outro.

Dizem que traição de mulher é diferente. Ela só trai quando se sente insegura, só quando quer dar o famoso troco. Acho que hoje não podemos generalizar, até porque a mulher já saiu do posto de vítima faz tempo. Mas eu acho que a traição do homem ainda continua a mesma. Vê um belo par de seios e acha que nunca vai ser descoberto, mesmo exibindo a outra como se fosse um troféu de carne.

Mulher só é descoberta quando quer. Ela não trai pras amigas acharem ela fodona.

Homem trai sem ter um motivo específico, por isso não consegue fugir daquelas justificativas citadas acima, que nunca são o que a gente quer escutar.

Já vi amiga minha perdoar o namorado que a traiu por mais de um ano. Mulher é mais flexível pra passar por cima do orgulho e aceitar o namorado ou marido de volta.

Tenho certeza que os homens vão cair em cima de mim por causa deste texto, dizendo que não é bem assim, que quando eles gostam de verdade eles não traem.

O fato é que eu ando meio saturada de sair de noite e ver caras comprometidos agarrando outras enquanto as namoradas estão em casa e eles no bar. E daí a mulher que fica com eles que é a vagabunda que beijou o coitado do cara, obrigando-o a trair.

Balela, conversa fiada. É ele que tem namorada, não a garota do bar. É ele que deve fidelidade e respeito à pessoa que escolheu pra namorar ou ficar sério por um tempo.

A verdade é que só falta o respeito mesmo. E um pouco de amor também, de fato.

I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry
I've heard it all before
And I can take care of myself
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'
I've seen it all before
And I can't take it anymore (Madonna)

Don't speak
I know just what you're saying
So please stop explaining
Don't tell me cause it hurts
Don't speak
I know what you're thinking
I don't need your reasons
Don't tell me cause it hurts (No doubt)

sábado, abril 07, 2007

A TPM da Bic [Bic irracional por conta da TPM]

Somos seres irracionais? Será?

Começo meu texto sem saber mesmo o que somos. Às vezes tenho certeza que somos feitos do instinto mais puro de prazer e realização própria. Outras vezes penso que o sentimento é o que nos move em direção ao desconhecido.

De qualquer maneira, ainda me magôo vendo uma criança sendo arrastada por metros e metros em um carro roubado. Dói no fundo da minha alma assistir de camarote crimes brutais passando na tv como se estivéssemos em um big brother gigante.

TPM é mesmo uma merda. Chorei assistindo Vale a Pena Ver de Novo, quando o menino recebe uma carta com a notícia que o pai morreu. Amo meus pais e tenho certeza que este amor é incondicional. Esse amor deles por mim é irracional também. É instintivo. É puro e é eterno também. Sendo assim, não posso chegar a conclusão alguma sobre a que ponto o ser humano é capaz de planejar certas maldades com o próximo, e o quanto pesa o desejo de fazer e acontecer num planeta que está prestes a entrar em colapso.

Eu sei de mim. Sei que não desejo que nada de mal aconteça com quem eu amo, porém não sou boa o bastante pra desejar felicidade a alguém que me fez sofrer. Sou racional e fria nisso sim! Amo com todas as minhas forças quem está do meu lado e não consigo ser legal com alguém que fez algo de ruim pra mim ou pra quem eu gosto.

Não perdôo falta de consideração, traição, mentira. Não aceito o fato de ser desconsiderada por alguém. Não esqueço jamais se uma pessoa que eu amo fez meus sonhos desmoronarem sobre a minha cabeça. Não acho justo amar mais do que sou amada. Não gosto de intrigas. Não tolero crueldade com animais, muito menos com crianças. Não gosto de ouvir gente falando sobre o que não entende. Não gosto de pessoas que só comentam sobre o que têm, mas não sabem dar o mínimo de si por alguém que precise...

Fugi do tema, mas acho válido. Irracional é quem não tem a mínima idéia do porquê de ter nascido. Gente egoísta, gente hipócrita, gente que não sabe amar, gente que pensa que cor de pele ou orientação sexual nos faz diferentes um do outro. Gente que acha que destruir hoje não faz diferença, porque daqui a cem anos não vai estar vivo. Eu odeio quem não pensa no próximo, odeio quem me faz chorar, odeio quem não tem tolerância com coisas diferentes dos seus pensamentos. Odeio quem corta árvores, odeio quem polui rios, odeio quem me faz esperar, odeio quem promete o que não cumpre, odeio quem engana os outros por não saber o que quer, odeio quem se atrasa, odeio quem me faz perder tempo com conversa fiada, odeio quem não tem coragem de fazer e critica quem faz, odeio me enganar com alguém, odeio o Lula, odeio europeus em geral, odeio TPM. Odeio TPM. Odeio porque a minha irracionalidade se torna um tanto quanto escancarada na TPM. TPM maldita. Maldita TPM.

Se não quiser saber verdades, não me procure nos próximos 5 dias. Grata.

sexta-feira, abril 06, 2007

To Be [Ar {heshit}Tur]

Ser humano é não ser irracional. Ser desumano é não ser humano, é ser instinto, ser irracional. Pergunto: Um Leão é desumano? Devorar uma criança por instinto para matar a fome e saciar uma necessidade torna o Leão cruel e desumano? O quê é ser desumano? Não me fale da forma, ou de um conceito inocente. Diga: Hitler foi cruel? Hitler foi amigo do Leão na infância? Em que ponto a palavra, ou conceito humano se difere da palavra/conceito desumano? Qual a separação entre o cruel e o necessário? As necessidades são ilimitadas... Seria a crueldade ilimitada? Seria 'Al Gore' um sujeito preocupado com o Leãozinho caminhando sob o sol ou com as calotas polares? Será o medo a real alienação ou será mesmo o medo de se classificar como necessariamente desumano o maior medo de todos os seres humanos?

Palavras belas organizadas logicamente não pesam no papel, tal como a falta da lógica. Não preciso ter sentido, peso ou medida. Eu só queria mesmo falar a esmo algumas palavrinhas...

segunda-feira, março 26, 2007

O Impulso da Razão[Artur, o impulsivo]

A vida é feita do conflito entre as escolhas. Aquilo que escolho, desvia-me do caminho que seria um rumo ao acaso, que, ainda assim, seria um caminho. No entanto, quando não há escolha, a opção inexiste e ainda determina mil outros caminhos ao acaso. Kant, o senhor da ética e da moral, disse que cumprir nosso dever é seguir a ética moral, excluindo a hipótese da felicidade, cumpra apenas o seu dever. Sinceramente, eu me pergunto sobre a busca da felicidade, usando-a como um fim. Seria mesmo necessário ser feliz, andar sorridente, quando a miséria humana exclui a possibilidade de o ser se completar por si só. Ora, somos fracos. Os que usam do cinismo afirmam que não. Alguns dizem que a solidão é uma doença, que viver só por viver não basta. Eu vos digo, tal como Proust, aprendi melhor quando sofri e estive só. E tal como Kant, não me bastava fazer o correto segundo os olhares, mas correto por cumprir aquilo à que me determinei sem ação exterior. Mas, ainda não sou correto aos olhos de Kant, por mais que o interior busque ser correto, cumprir seu dever. Concedo-me o previlégio de acreditar que sou correto comigo, num mundo onde os `frios` e necessariamente cruéis, tornam-se corretos.

segunda-feira, março 05, 2007

So Happy Together ( Artur, Demasiado Artur)

Imagino que estou passeando de mãos dadas num bosque, saltitando como nas cenas do cinema, enquanto aperto forte a mão que compartilho. O caminho é único, não há direita e nem esquerda, é um campo livre onde sonhamos. Os beijos são únicos, os abraços também, mas os sonhos diferem. Então as bocas se afastam, os abraços repelem e os sentimentos deságuam. É chegada a hora de pôr os sentimentos pra secar, como na música que ouvimos. Porém, a mente engana, não quer se realista, quer voltar a voar; entrelaçar as mãos e acreditar que as diferenças e vivências diferenciadas não existem - O coração acredita no que a cabeça contesta, e a vivência afirma - E, é a mesma vivência que criou a mais cruel casca que possuímos. A casca que nos fez sobreviver a cada corte, a cada rompimento forçado, onde a impotência resolveu nos ensinar a humildade, e dar um tapa em nossa atual expressão de tão pequena alma. Alma que não quer entender seus mais profundos desígnios, e prefere terminar pequena pelo egoísmo de um lado, e de outro, quer assumir seu papel maior; tornar-se grande, e se coroar. E, quanto a minha alma, ela deseja profundamente tornar o meu espírito maior; experimentando todos os tipos de tapa e suas dores. - Espanque-me vida! Sou masoquista por natureza. Transformo o céu em inferno com o estalar irônico dos dedos. Com um único estalar... Pois sou ‘humano, demasiado humano’. Tenho em mim o egoísmo, mas também prefiro libertar das culpas a afagar as tristezas.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Can't buy me love! (mion's reply)

Pois não, bic.

Então. Eu tinha um monte de idéias prontas pra escrever aqui, mas deixei todas de lado pra escrever o possivelmente cabível.

Não acredito na comparação de "pessoas/produtos", acho isso uma falta de respeito com toda a gama de sentimentos BONS E RUINS que nos separam do que (eu no caso publicitário um dia) nos tentam vender por estantes de produtos. É por isso mesmo que dói tanto, é por isso que a gente vive escrevendo disso, é exatamente por essa razão que a gente não desencana - diz que não quer mais, só que olha pra fora e torce pra que a situação mude assim como o passar de uma nuvem - por nada nesse mundo. Todomundo tem pelo menos um riscado de avariado sentimentalmente, mas nem todomundo liga pra isso. Isso é fato.

Ninguém criou um manual de como viver por aqui.
E viver como num "Big Brother", tratando os outros como num 'jogo' besta só reforça a teoria alheia de que machucar os outros é melhor que se machucar, e assim a situação nunca muda pra ninguém.

É verdade que é mais fácil ter um relacionamento superficial. Eu desde o show do Deftones tive 3. Três, e nenhum deles me trouxe nenhuma bagagem muito especial, só o último, e ainda um pouco apenas. Mas é aquela velha história : não vai dar em nada, é superficial, ela volta pra casa, acabou, passou, passei.

Agora um romance, uma vida que passou por você...por mais que doa na hora...depois vira história, vira conto..pode virar thriller, mas vira algo. Vira parte, experiência, conteúdo, "repertório" - como adoram dizer os publicitários star - , e essas coisas.

Vale a pena se arriscar nessa vida de incertezas. No mundo você pode comprar muitas coisas, menos o amor sincero de uma pessoa. E mesmo que grátis, é meio empenhoso de cuidar. Mas é bom.

Deus não criou o Homem pra ser só. Tá lá em Gênesis. A bagagem da vida é pesada, mas dá pra levar de 2. Ou se parar de ficar só focando no lado AMOR de romance e começar a olhar pro AMOR , inclusive RELACIONAMENTO de amigos, vc divide o peso entre muitos mais, e dói bem menos, e é bem mais interessante. Também, quando se está com o(a) alguém amado(a).

=]

I don't love you anymore [ Bic e suas 7 vidas]

Nossa vida é uma sucessão de pessoas dizendo adeus. Já falei da sensação de estar no portão de embarque do Destino, aonde sempre tem alguém de malas prontas pra partir.

Outro dia assisti Closer pela enésima vez. É incrível como podemos nos encaixar em cada personagem. Não existem canalhas, ou todos somos.

Egoísmo, medo, vontade, paixão, impulso, conformismo, frieza, dor, traição.

Somos compostos não só de belos sentimentos, mas também de alguns que não nos orgulham nem um pouco.

Deixar alguém que deu uma de suas 7 vidas por você, trocar o famoso certo pelo duvidoso...todos fazemos isso. Relacionamento é mais ou menos como um jogo de sentimentos que nem sempre a gente ganha. E quando perdemos, somos obrigados a encarar uma belíssima ferida e um gosto amargo de decepção.

Deixar de se envolver a fundo com alguém resolve isso?

Tratar as pessoas como peças deste jogo é melhor?

Procurar alguém como na prateleira de um supermercado, provando pra ver qual é melhor, e descartando quem não foi tão especial assim.

Aproveito esse momento pra olhar pela janela e ver que as pessoas caminham sozinhas pela rua. Todos temos agora coletes à prova de sentimentos. Todos correndo contra o tempo e o fato desse tempo andar sempre dois passos à nossa frente.

A verdade é que ninguém quer ouvir um sonoro e doloroso “não te amo mais”.

Ninguém quer ser devolvido ao mercado de ilusões na prateleira com a placa “Com defeito”. Ninguém quer ser trocado por um modelo mais novo ou mais bonito. Mas é tão fácil e cômodo ter relações superficiais, não ter que se incomodar com o problema dessa pessoa deixar você um dia, porque vamos deixá-la antes mesmo que possa existir qualquer traço de afeição por ela.

Você não vai precisar saber se ela gosta de verde ou lilás, se ele torce pra algum time, se ela vai mal em matemática ou se ele canta uma canção pra você esquecer aquela cólica. Fica tão mais fácil não conhecer os cachorros dela, mais prático nem perceber que ele odeia bife acebolado, que ela prefere Beatles, que ele gosta dela até de olhos borrados por chorar assistindo Sessão da Tarde.

“Não gostou do carrinho, filho? A mamãe compra outro!”.

“Não gostou dela, cara? Vai ali e pega outra!”.

“Não serviu. Posso trocar?”.

“Ele não serve pra mim”.

Tudo tão rápido, sem sentido, sem sentimentos...

É mais fácil embarcar nesta viagem sem destino, às vezes parar em alguém e em seguida fazer as malas pra longe outra vez. O duro é carregar na bagagem toda essa dor.

sábado, fevereiro 17, 2007

Crescer [A evolução da Bic]

O que quero ser quando crescer? Aos sete anos eu queria ser trapezista. Aos nove, queria ser ginasta. E fiz muito pra isso, uns seis anos de profissão até a notícia: teria de tomar hormônios pra parar de crescer pra continuar a carreira. Minha mãe decidiu que não. Resultado: magra como uma modelo, porém não tão alta quanto uma.

Tudo bem, nove anos ainda são pouco perto da vida que teria pela frente. Desde então fui uma estilista de Barbies frustrada,(sim, eu ganhava as bonecas e detonava com as roupas, cabelos e tudo mais que uma boneca possui) fui também uma excelente representante de sala,(por sinal, minha mãe foi tantas e tantas vezes no colégio ouvir da coordenadora que eu era a líder negativa da turma). Queria ser cientista, veterinária, professora, médica.

Tentei ser uma escritora de sucesso,mas os professores nunca acreditaram que uma pirralha como eu poderia escrever versos tão profundos.

Pensei em várias coisas, até que o acaso fez eu marcar a opção de Marketing na ficha do vestibular. Passei, cursei dois anos felizes...até que a dúvida (sempre ela!) invadiu meu ser. Marketing? Pra quê? Sempre acham que eu passaria quatro longos anos na faculdade pra virar vendedora de alguma coisa, Ou até uma atendente de telemarketing, daquelas que ligam nas horas mais impróprias pra vender TV a cabo ou fazer cobranças de dívidas...

Hoje eu posso dizer que amo Marketing. Mas eu penso sinceramente em também ser astronauta, jogadora de sinuca, atriz da Malhação, cantora de boteco, mochileira pela Europa, fotógrafa, lixeira, índia, estrela de cinema, freira, kardecista, indigente, bailarina, garçonete, eu...

Foi tão difícil fazer a minha rematrícula esse ano. É tão difícil chegar ao final iminente de algo sem saber o que realmente queremos...e eu não sei...eu queria estar em tantos lugares...tantos países, fazendo tantos cursos, conhecendo gente, sentindo saudades de casa...

Isso me faz pensar que realmente acredito em outras vidas, por dois motivos básicos. O primeiro é que tenho certeza que as pessoas que surgiram ultimamente no meu caminho, não apareceram por acaso, a outra é que simplesmente não acho justo que eu não possa fazer tudo o que quero da vida.

Família cobra demais, por mais que não exija tanto. Os amigos se formando, pessoas tomando o rumo de suas vidas, as coisas acontecendo à minha volta...E eu sinto que eu estou no auge da minha juventude, hora de fazer vexames, de ver as cenas mais engraçadas, de ter os amores mais platônicos, de mudar o quanto eu quiser. Mas mesmo assim eu me sinto na responsabilidade de construir alguma coisa sólida, fazer as coisas darem certo, de me destacar, ser a melhor.

Outro dia ouvi uma frase que me perturbou um pouco. Um amigo que mal saiu de um namoro disse: não vou mais ter um relacionamento, porque estou com 24 anos e esta é a minha última chance de ter algo sério de verdade.

E eu penso: num mundo onde a qualidade de vida aumenta a cada dia, que os velhos ficam mais velhos e as pessoas se cuidam cada vez mais, ainda é justo cobrar de uma criança de 16, 17 anos o que ela quer pro resto da vida?

Eu não sei o que quero com 22, e realmente não sei se vou ter essa resposta tão cedo. Isso me deixa triste, com um peso enorme nas costas. Acho que todos temos uma vocação, um dom, uma habilidade. Todos sabemos, mais dia, menos dia porque estamos neste mundo. Mas e se amanhã eu resolver ser trapezista?

Não sei. Ninguém sabe. E eu ainda durmo pensando no que eu quero ser quando eu crescer...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Vingança [ Just don't let me down ]

Tudo começa num bate papo de rua.

- Engraçado esse ser o seu nome... As linhas da minha mão desenham a sua primeira letra...

- E quer dizer?

- Hmm...

E nisso, a pele cheira a sexo. Um beijo, e após as preliminares, você nadou o mais rápido que podia e conquistou um óvulo. – Parabéns! Você ganhou um passe para a vida...

Esperou nove meses até atingir o destino, e levou um tapa na saída – chorou – e chorar também é estar vivo. O tempo segue seu rumo, e a família vive babando por você. Seus primeiros passos e palavras os emocionam, até que você aprende seu primeiro palavrão e pula um muro, e poucas pessoas acham ‘bonitinho’. Você leva outros ‘tapas’, e continua levando sempre, até que se torna tão forte que pequenas coisas não o afetam. – Você cresceu! E agora, não vai poder ser a eterna promessa. Precisa vencer. Tem que conquistar o seu. E o mundo continua com suas eternas cobranças. E você se dá conta que só tem essa vida, quer realizar seus sonhos, pois não sabe se há a certeza de uma outra possibilidade. Mas as cobranças continuam, de todas as partes, sua família quer você como eles planejaram, e seus amores o querem como idealizaram. E você: o que você quer?

De mim para mim, respondo: - Eu não tenho mais idéia. Sonhei muito, e realizar tudo ainda não foi possível. Eu quero sair por aí, quero ver a vida, quero me lançar num abraço com o vento. Mas me roubam o tempo! Não posso mais ser a promessa. Tenho que dar certo!

‘Mas a vida, a vida é uma caixinha de surpresas’.

Quando você sonha, te pedem realismo. E quando você o dá, dizem pra você sonhar um pouco mais, que muito ainda é possível. Eles podam de um lado, e você acaba podando tudo, pois não sabe ser um Bonsai. Você não é uma planta, que regam para alegrar a vista e enfeitar o lar. Mas enfeitam as paredes com suas conquistas, seus diplomas, e muito daquilo que não te deixou feliz.

Eles cobram muito, e nunca o deram tudo. E disseram que não podiam... Mas pedem que você dê tudo de si. E esquecem que você também é humano. E diferente desse texto, têm início, meio e fim.

...Ah, como eu queria, ser como na canção que fui um dia...

A lição é cara, e irei vingar. Hoje sei, que vingar, também quer dizer ‘tornar-se grande’.

domingo, fevereiro 11, 2007

A Pipa do Vovô (Laço)

Quando eu nasci, um anjo louco – insensato – um desses mártires, disse: - Nasce. Mas nasce pra ser estopim!

Qualquer semelhança não é mera coincidência, e não há a dita coincidência.

Ah, quando eu nasci estava escrito que, segundo previsões, teria alguns probleminhas por aqui.

E por isso me enviaram para os braços dos meus avôs: - Sim, eu fui criado pelos meus avós! E não há vergonha em dizer, e também nenhuma frescura dita pelas piadas por aí.


A Bic me tocou com suas palavras, e me fez lembrar de uma pessoa muito querida que partiu no último ano; o meu avô Adjalma, que me criou e foi mais que um avô para mim.

Sua personalidade, de um ‘q’ brusco e cativante, é o tipo de coisa que não se pode medir em palavras. - Ainda assim, tentarei.


Para mim, meu avô era tão grande, que fingia ser um cavalo. E de fato, sua força pôde ser comparada à força desse animal. Ainda em seus últimos dias, quebrou os aparelhos que o ajudavam no hospital, queria sair de lá e ir para seu sítio. Havia pedido para mim, e para a minha avó para que levássemos apenas o seu boné, que era apenas o que ele precisava para se proteger em sua fuga. Era um desses tipos de garotos que a idade dizia o contrário. - Ah, saudade... Era o bom boêmio, de fala mansa para conquistar a presa, e de voz grossa para sobreviver. Sabia como ninguém conquistar; isso diz a minha avó. E falhas de caráter à parte, e um casamento a prova de instintos, diziam os parentes no velório sobre outras mulheres. Era bom de rimas, cantava as valsas de sua época, e de modo bem sacana mudava as rimas. Fazia os netos rirem, e para os meninos ensinava o que era uma xota em seus mínimos detalhes. Era um bom sacana, de fato.

Deixou oito filhos registrados, e um de coração. Sete netos homens de saco roxo, como dizia. Quatro netas meninas, e dois bisnetos. E contribuiu muito bem para a superpopulação mundial, era um ‘manga-larga’ reprodutor.

Filho de espanhóis, chegara muito cedo no Brasil, e desde cedo carregou muitos fardos. Não sei se é do conhecimento de muitos, mas em algumas famílias, só o primeiro filho têm direito à herança; e assim foi com ele. Seus pais o deixaram cedo, pouquíssimo tempo após a infância. E ele teve de se virar; deixou a fazenda da família no interior, e embrenhou na selva de pedra atrás do seu. Já na vinda para o Rio de Janeiro, pegou um trem, e esse trem descarrilou. Quebrou as duas pernas, e ainda tinha de se virar; contava-me. Eu ficava fascinado com suas histórias, ao contrário dos outros netos, que ficavam com sono ao ouvir. E queria que ele sempre repetisse, e como um papagaio, repetia para outros. As histórias tinham os mais diversos cunhos, do fantástico ao triste. E a passagem pela boêmia... Minha nossa senhora! Eu aprontei muito, mas que nem ele é impossível! Meu avô chegou a ser internado num manicômio; umas das minhas histórias favoritas. O que aconteceu foi o seguinte: Meu avô realizou um trabalho para a prefeitura do Rio, a qual não quis pagar. Foi durante a ditadura. Ele havia ficado sem dinheiro nenhum após realizar os trabalhos para a prefeitura, e a família passava por necessidades. E num ato de fúria, pegou seu revólver trinta e oito, foi até a sede da prefeitura, e lá descarregou a arma. Por sorte - e falta de mira - não acertou ninguém. Quando ia ser preso, num ato de inteligência, minha avó pediu exames de sanidade e alegou que vovô era insano. E nessa cartada, ele passou por louco, ao invés de futuro preso político. Era o ano de 64...

Sua vida foi marcada por incidentes com arma. Ainda garoto, contava-me que fora ver uma menina e o pai dela o expulsou com tiros, acertando a sua perna. E isso me animou muito, quando contou novamente e eu estava deitado numa cama por ferimento à bala, devido à violência.

Eu realmente não sei por onde ir com esse texto, pois é impossível ser breve, e lógico com tantos sentimentos vindo à tona. Por último, gostaria de dizer o que aconteceu no seu último dia de fato.

Foi uma semana difícil, estava em provas na faculdade, com meu avô internado e o mundo me cobrando. E estudo num bairro distante do hospital onde meu avô foi internado, e sempre fazia o possível para ir vê-lo. E quando chegava, ele conversava perguntando das meninas, se eu as estava cativando corretamente, e dos planos para quando eu me tornasse advogado, e para que mesmo me formando, não deixasse a música de lado, e ainda adentrasse a fundo na política como vinha fazendo por influência de um Brizolista. Ficava me falando sobre as enfermeiras e o quanto amava a minha ‘Vó’, a qual se referia como ‘minha véia’. - Mas não deixava de notar a bunda das enfermeiras... As pessoas do hospital terminaram bem intimas da minha família pela forma como meu avô se relacionava, ele fazia com que os médicos rissem, e as enfermeiras sorriam sempre, levando numa boa qualquer brincadeira. As pessoas ficavam emocionadas por alguém com tanta vontade de viver, ele simplesmente quebrou ‘uns’ vinte mil reais, ou mais em equipamentos hospitalares. Ficava uma fera por ‘atrapalharem’ sua liberdade... E hoje, é algo que eu entendo...

Na última noite, só duas pessoas puderam vê-lo; depois de muita insistência após os diagnósticos... Eu e a minha avó. A minha avó o viu primeiro. E ainda teve força para me levar até o leito, me deixou a sós com ele; que estava sedado e imobilizado, para que não se machucasse quebrando aparelhos.

E ele sussurrou baixinho:

- Viver...

Na madrugada após, eu não consegui dormir, permiti-me chorar feito uma criança. Sabia que ele estava deixando a forma compreensível.

Acordei cedo, senti uma baforada estranha e quente na nuca. Ele costumava fazer isso para me irritar... Levantei, tomei um banho. E o telefone tocou, minha mãe saiu correndo de casa para encontrar minha avó e meus tios, pois haviam ligado do hospital.

Eu não chorei até o velório e fiquei pensando se o que ele havia me dito era um conselho ou uma vontade. Percebi que eram os dois, e dei início à salva de palmas.

Quando eu nasci; eu já sabia. Que um dia haveria fim.