quinta-feira, maio 20, 2010

.Cartas para vovó.



Já faz tanto tempo que você está aí do outro lado.
Às vezes parece que esse tempo nem passou. As roupas ainda estão com seu cheiro e eu ainda me lembro perfeitamente dos teus olhos azuis e da textura dos seus cabelos.
Não digo que a saudade dói menos. Não digo que me acostumei com essa tua ausência.
As coisas mudaram tanto aqui depois da tua viagem.
Essa coisa toda de libertar, de fazer com que isso tudo faça sentido, esta espera pra um reencontro, você daí deste lado aonde não existe mais tempo, eu sem tempo pra nada...
As horas em que a saudade me aperta tanto que as lágrimas ainda insistem em salgar meu rosto.
Tenho tanto pra te contar.
Tanta coisa que só você entenderia. Tem abraços que só você poderia dar.
Inexplicável essa sensação que o tempo errou ao te levar. Como o destino acertou ao te fazer minha alma mais amiga.
Eu no descompasso das horas e você aí bailando nas nuvens.
Eu vim pra cá pra ser sua neta, você veio aqui pra ser minha avó.
Sabe, tenho um novo amor, tenho novos cachorros, comprei flores pra deixar na janela e pela primeira vez não comprei um par delas pra deixar uma na sua.
Tenho um novo trabalho, você teria até orgulho.
Você sempre teve.
Hoje o dia por aqui está cinza. Às vezes os dias ficam mais cinzas aqui. às vezes eu choro dentro do coração e às vezes eu me tomo de uma alegria tão grande com as coisas.
às vezes confesso que fico à espera da tua visita. Da tua chegada certa na minha porta.
por vezes eu abraço o ar e espero que o invisível faça o resto.
Ah, esse mundo infinito de infinitas coisas.
Essa ânsia de viver as coisas todas plenamente como você fez.
Eu nunca te escrevi uma carta antes.
Eu deixei tantos beijos guardados pra amanhã.
Eu sempre te disse da minha admiração pela sua alma nobre e brilhante.
Não tem explicação pra duas almas se amarem tanto assim, não precisa.
Eu sempre fui mais sentimental. Pra mim, a despedida doeu mais porque eu sempre achei lá no fundo que nós deveríamos ter sido uma só.
Mas Deus tem seus planos, há de ser tudo grandioso e belo e esse sentimento que é quase razão vai ser parte de uma coisa que (inexplicável aos olhos) nos faz ser.
Obrigada por ter sido tanto pra mim. Obrigada por me fazer tão feliz. Por tanto que se doou pra fazer das coisas da vida um caminho de amor.
Sigo aqui, passando pelo tempo, vivendo tão plenamente, amando e desejando as coisas, girando o mundo pra que algum dia, em alguma estação que há de chegar, você esteja de braços abertos ao me reencontrar neste trem da vida.

quinta-feira, maio 13, 2010

.perdão, perdi.


Perdão por toda a minha implicância.
Por todas as coisas que eu não quis enxergar.
Essa cegueira nunca me deu paz alguma.
Me desculpe por essa pressa de sempre, por eu estar sempre querendo ficar um pouco mais, por querer um pedaço a mais, me desculpe por essa pressa sempre acabar atropelando tudo (inclusive nós).
Me perdoe por eu ser tão insensata, por não olhar ao atravessar a rua (e as coisas)
por eu sempre estar chegando atrasada, por eu sempre ter tempo demais pra tudo o que eu não sei dizer, a respeito do que eu senti (e sinto. sinto muito).
Por às vezes eu fazer as coisas mais importantes pra mim parecerem banais,
por este medo todo de ser importante para os outros e o medo maior ainda de não ser importante pra você (que é o que me faz sentir tanto medo de tudo).
Essas lágrimas que sempre aparecem, tanto sal, sal demais.
Essa mania de achar que a minha mágoa é sempre maior, ou que ela vai diminuir se eu magoar mais os outros. Não vai, porque ela nunca foi grande e nem maior do que todas as outras coisas.
Não quero ir sem ser. Só quero ficar aqui, exatamente aonde estou (nos seus braços)
Quero sempre mais e o tempo todo, todo o tempo.
Essa coisa de querer tudo é tão minha, me perdoe por isso também.
Egoísmo é prisão.
Eu só quero ter as coisas sem ser tão superficial.
Quero ser especial, quero tanto que acabo metendo os pés pelas mãos.
Quero as mãos. As tuas nas minhas sempre.
Ser sempre tua. E pra isso não tem pecado nem perdão.

domingo, maio 09, 2010

.amor maior.

Estava quebrando a cabeça pra fazer um texto sobre a pessoa mais especial da minha vida.
Não é fácil descrevê-la, pois ela nunca foi uma mulher só.
Ela é mãe, irmã, amiga, anjo, conselheira, defensora.
Sempre foi. Sempre vai ser aquela que nunca saiu do meu lado em nenhum segundo da minha história.
Minha mãe é única. Sou uma sortuda pela família que tenho. E nos momentos em que só ela foi minha família, continuei me sentindo sortuda só por ela estar ali.
Uma artista. De muitas artes. Das pinturas que faz, da maneira que vive, do modo que me ensinou a viver, de todas as coisas que me ensinou com paciência.
Que me deu seu ventre pra morar, que me deu o meu primeiro alimento, que viveu os momentos ruins no meu lugar e se jogou na frente de todo o mal pra nada me atingir.
Guerreira do dia a dia. Esqueceu o sono pra que eu pudesse dormir em paz, mediu febre, dormiu ao meu lado cada vez que tive pesadelos.
É incrível quanto a gente precisa viver pra entender que a primeira pessoa que conhecemos é a que sempre vamos amar mais.
A dona da palavra incondicional.
Que foi compreensiva mesmo quando eu fiz as coisas imperdoáveis.
Quem me abraçou passando as mãos leves no meu cabelo quando tudo parecia (e estava) perdido.
E ela está ali. Com suas manias e seu jeito quase adolescente às vezes.
Quando chora com a dor de uma criança que perdeu o brinquedo. Quando chora com a dor de uma mulher que sente e sofre as dores da vida.
Bonita. Linda. Bela. A mais bela de todas.
Que carrega um orgulho no sorriso simplesmente por ser mãe.
Com sua teimosia taurina, seu jeito às vezes meio sisudo, seus planos, tantos planos, tantas coisas sempre a fazer.
Meu orgulho, minha artista, minha doce amiga é você.
Meu caminho de casa, minha volta pra casa, minha casa.
Nossas coisas só nossas, só nós duas, uma só, eu e você.