domingo, julho 29, 2007

No Surprises [É, a Bic]


Às vezes a gente se enxerga assim mesmo. Só pedacinhos de reflexo da gente mesmo. Somos feitos dessas pecinhas, e muitas vezes, o nosso coração fica assim também.

O duro é quando não conseguimos juntar todas essas partes pra definir o que faz sentido pra ser.
Eu sempre fui a parte estranha do espelho. A que prefere o roxo berinjela à rosa, aquele feio que ninguém olha ao invés do gatinho do colégio, aquela roupa esquisita ao invés da blusinha da moda.

Não é à toa que meu quarto é cheio daqueles objetos de 1,99 horrorosos e feitos de gesso. Todos eles têm sua beleza. Seja por serem engraçados e bizarros, ou por serem simplesmente diferentes.
Eu poderia encher a casa de belos cristais, mas que graça teria ver beleza no belo?

Eu nunca fiz questão absoluta de ser diferente. Na verdade eu sempre fui mesmo. Mas assumir a condição de ser fora do padrão nem sempre é um caminho divertido e fácil.

Mãe pega no pé, colegas de faculdade rotulando, gente olhando torto, chefe manda tirar o alargador da orelha pra trabalhar, etc etc etc... [insira muitos etc's aqui]

Na real todo mundo gosta de criticar. Eu particularmente adoro. É normal do ser humano sempre apontar pro outro pra falar que aquele alguém é assim e assado.

Daí criamos uma massa acéfala que assiste ao Domingão do Faustão, acha a Juliana Paes uma musa, que jura que o cinza é o novo preto. Pra compensar, nascem os pseudo-qualquer-coisa que querem fazer e acontecer pra protestar contra sabe deus o que e lá e blá blá blá indie e emo e blasé e somos dominados pela mídia e eu não sigo padrões e etc etc etc [insira muito mais etc's aqui]
É, é assim mesmo. Ser ou não ser, viver ou não viver fazer ou não fazer. "E se comentarem sobre a minha roupa?" "E se alguém não gostar?" "E se eu me arrepender de fazer isso?"

Sempre o outro. E acabamos nos tornando uma massa "normal" ou uma massa "alternativa".
Vale lembrar que no fim é inevitável, todos acabam de mãos cruzadas à 7 palmos do chão. Faça o que fizer pra ser igual ou diferente durante essa passagem efêmera pelo mundo, tudo vira pó no final.

4 comentários:

Tell Her No disse...

pois é... quem não gosta de criticar!

agora, quando são criticadas.... as pessoas costumam se sentir ofendidas.... e eu não entendo o pq disso.

receber criticas é sempre mto bom... pois a partir delas podemos rever nossos conceitos, mudar, crescer, ver as coisas de formas diferentes....

Daniel Schuchter disse...

Nos preocupamos com o próximo.

oops,
...
na verdade é
nos preocupamos
com o que o próximo vai achar.

Daniel Schuchter disse...

Ser diferente é um dom. Não um fardo, como alguns tristemente pensam. Quem me dera ser.

Edson disse...

Hmm, gostei muito desse seu texto, Bic.

Só acho que é bem mais divertido brincar com os rótulos do que ficar irritado com eles. É assim, acho, com tudo que é limitador, mas inevitável.

No entanto, por mais que eu seja "parte estranha do espelho" como vc, eu não consigo deixar de achar que Juliana Paes é EFETIVAMENTE uma musa. :P