domingo, dezembro 21, 2008

[caminhando em par]


Estava andando sozinha pela estrada de tijolos amarelos.
Foi aí que encontei meu coração em alguém.
E ele encontrou o dele em mim.
Era o mesmo, de fato. Mas de uma certa maneira, eram dois com medo de quebrar.
Convidei para caminhar comigo. Mas o relógio dele marcava a hora adiantada sempre.
O tempo dele era mais curto e severo que o meu tempo.
E eu queria mesmo era o coração dele no meu.
Tão platonico, tão parecidos, tantas coincidencias tolas que nos envolveram de maneira estranha e assustadora.
É tão bom poder sentir que alguém nos faz procurar nas canções um motivo banal para escrever frases sem sentido no muro pelas ruas onde esta pessoa passa.
Escrevemos as mesmas frases, ao mesmo tempo, em muros diferentes.
Temos a mesma pele na outra pele, mesmo sem encostar.
Usamos as mesmas falas de filmes que ninguém assiste mais.
Lemos as nossas mágoas no mesmo livro. Passamos pela mesma calçada de tijolos amarelos.
Mas algo ainda nos deixa paralelos, seguindo juntos sem tocar.
Ele é meu coelho branco, que sigo sem cessar. Meu homem de lata que encontrou o coração em mim. Minha gravura pendurada na parede com um só prego a nos segurar. E é com ele que vou caminhar. Ele e eu, pelas nossas histórias tão irreais. Com coincidencias tão reais. Mas a gente prefere as nossas coisas inventadas.

3 comentários:

carol~ disse...

as coisas que são só de vocês.


um viva para a feliz coicidência!!!

Daniel disse...

Antes de tudo preciso confessar que foi surpreendente te encontrar tão romântica ...(deve ser a temporada, haha). Ah Bic, eu andava sentindo tanta falta disso aqui. Infelizmente não estou com essa visão otimista e amorosa dos fatos cotidianos e das pessoas, e acrescento que estou sem inspiração. Já se sentiu assim?
Estaria desanimado a ponto de não ter ânimo para caminhar comigo mesmo, a ponto de não conseguir convidar alguém para me acompanhar. Chateado por que o sentimento criado por coincidências tolas não resistiu ao orgulho, pelo livro onde lemos nossas mágoas ter desaparecido de vista. Pela ausência de dialogo. Você tem sorte de estar tao bem acompanhada, por tao bons sentimentos. Agradeça, sempre.

Daniel

Bic Muller disse...

a carol é minha dorothy.