domingo, agosto 09, 2009

.dia dos pais.


É, dia dos pais sempre me traz uma sensação estranha pra mim. Na realidade eu sou meio avessa à comemorações de quase todos os tipos.
Mas dia dos pais pra mim é meio "sei lá".
Meu pai sempre foi especial pra mim. Sempre foi aquele cara pra quem eu corri nos piores momentos, quando eu estava realmente encrencada. Me ensinou a andar de bicicleta, me ensinou a gostar das melhores bandas e dos melhores livros. Era ele quem cantava pra eu dormir. Quantas canções...
Quantos poemas. Quantos conselhos que eu deixei de seguir, Quantos abraços que eu achava brega lhe dar na frente das minhas amigas...
Foi ele quem me ensinou a dizer "te amo" ao invés de "tchau" quando desligava o telefone. Porque ele sempre me diz que algum dia, aquela frase será a última coisa que falaremos um ao outro.
Talvez tenha sido ele a pessoa que mais senti raiva em toda a minha vida. E a minha mãe. Até porque são eles que estão mais perto, fazendo as coisas que no momento não fazem o menor sentido, e eu só entenda quando for mãe também.
Mas sempre foi o homem que admirei. O mais inteligente que já conheci, o mais bonito, aquele pai que as amigas sentem inveja, porque foi pra ele que contei quando comecei a fumar, quando tomei o primeiro porre feio, quando tive o meu primeiro namorado...e ele sempre teve algo de bacana pra me falar nesses momentos.
E é pra ele que eu ligo quando estou triste e nem quero falar nada, porque sei que ele vai saber exatamente o que estou sentindo e não vai me perguntar.
Não sei ao certo o que mudou entre nós. Talvez eu tenha crescido, talvez ele não tenha crescido o suficiente. Talvez os nossos erros um com o outro tenham ficado insuportáveis pra eu poder sentir que posso contar incondicionalmente com ele. Ou ele tenha simplesmente deixado que eu caminhe com minhas próprias pernas pra um dia se orgulhar por eu ter feito a minha história sozinha.
Não sei. Algo me dói por falar dele. Acho que é amor. É por não saber se algum dia nós teremos orgulho um do outro.
Pela vida, ter deixado ele mais duro, mais sisudo. Ou pela vida ter me deixado mais dura e sisuda.
Ele sempre vai ser o homem que dançou comigo na festinha que nenhum menino me chamou pra dançar.
Que me deu meu primeiro livro aos 12 anos. Fernando Pessoa. E um dicionário pra eu começar a entender aquelas palavras.
Que me liga pra saber como eu estou.
Que me ensinou a mergulhar.
Que me dá bronca citando algum autor complicado.
Que se orgulha dos meus textos e corrige de forma delicada quando acha que outra palavra seria melhor usada naquela frase.
Que carrega fotos minhas na carteira e mostra até pro tio do posto de gasolina a filha dele.
Que colocou a minha primeira publicação em um jornal numa moldura no quarto.
É ele que tem até o joelho parecido com o meu. E quem jamais me deixou caminhar do lado de fora da calçada, porque um cavalheiro sempre deixa a dama protegida.
Que me levava pra passear, segurava pela mão e me dizia que nenhum pesadelo jamais iria me alcançar, porque ele estava ali cuidando do meu sono.
É ele que as minhas colegas de colégio chamavam de tio-pai. Porque ele era o mais legal de todos.
Sarcástico, engraçado, rápido pra fazer piadas.
Pra quem eu fiz minha primeira canção. Meu primeiro poema.
Que me levantava quando eu era pequena, pra eu poder encostar no céu.
Que procurava duendes na fazenda comigo, me ensinou a montar, me obrigava a tomar uma gororoba horrorosa feita de verduras de manhã, pra eu ficar forte.
Foi com ele que eu chorei muitas vezes. Outras tantas, ele me fez chorar.
É ele que me perdoa sempre. E é ele a quem eu perdoo também.
Ele sempre vai ser ele, mesmo que o nosso mundo mude tanto... meu pai...

Um comentário:

bárbara disse...

Oi! Vim aqui por acaso (lá do "morry".. aliás, vc precisava ver a entrevista q a fanny lá do bbb deu para veja, dizendo que o fato de estar nua na capa de seu livro é uma "subjetividade filosófica" hahaha) e acabei lendo esse último post (ainda vou ler os outros) e queria dizer q gostei mto dele e do jeito q vc escreve. Eu não sei se é tpm minha, mas eu fiquei toda "óó" huauha.. queria ter uma relação assim com meu pai, a nossa história já é mais complicadinha.. mas pai é pai, né! e essas datas são meio sem noção msm, mas não ligo de comemorá-las.. bom, é isso, parabéns pelo blog e pelo outro, o da sunga branca, q é mto bom! bjos ^^
ps- comentário bem inútil, mas tdo bem!