segunda-feira, junho 22, 2009

[menos eu]


Sempre fui péssima com despedidas.
Hoje, por fim, se cumpriu a mais dolorosa.
Minha metade, minha maior amiga da vida... se foi.
E eu aqui, nesse silencio assustador com as minhas palavras tortas, tento encontrar uma palavra para tentar preencher essa lacuna que acabou de se abrir no meu coração.
Ah, como era um momento só nosso quando eu te via... Dói te imaginar apenas nas fotos agora.
Dói não pegar nos teus cabelos que nunca ficaram brancos.
Ah, os teus olhos, vó. Eram só teus. E os meus eram um par te olhando com orgulho sempre.
Segurar a tua mão pra dormir. Ah, me acalme. Canta alguma cantiga comigo pela última vez.
Me conta das tuas coisas que eram tão minhas.
Você sempre foi a minha favorita. Me segura por mais um segundo...
Dança essa última valsa comigo antes de ir. Acena pra mim deste mundo distante para o qual você viajou. A demora para o reencontro me aflige agora.
Me faça só mais um afago no meu coração que está tão descompassado quanto o teu, que parou.
Ah, céu. Receba a minha melhor parte aí. Recebam com flores e estrelas, esta que era a mais brilhante para mim.
Beija a minha testa mais três vezes vó. O fato de não te beijar a testa me dói ainda.
Me dói toda a despedida e esta dói mais, por ser a última.
Vão doer todas, por eu não poder te contar os meus planos, os meus medos, as minhas histórias com final feliz.
Abre teus braços, vó. E em seguida me aperta com toda a força que você teve, mais que eu e qualquer um que passou por aqui.
A tua honra, a tua sabedoria, a tua calma e aceitação com as coisas.
Teu olhar doce e azul. O teu sorriso ao me receber. A porta que permanecia aberta até eu entrar no elevador, porque você sempre foi melhor nas despedidas que eu.
E eu não sei te dizer adeus. Desculpe, por favor. Não sei deixar essa nossa ciranda acabar.
Você sempre será a minha favorita. A minha melhor amiga que eu já tive neste mundo, que hoje ficou menos florido sem você. Eu sempre te amarei, minha menina dos olhos coloridos.

segunda-feira, junho 15, 2009

[sempre sobre o fim]


E pensar no que teria sido, em quem eu teria me transformado se de alguma maneira eu tivesse corrido para algum outro lado além deste.
O que eu seria se não fosse mais as mesmas idéias as quais abandonei tantas vezes?
Em outro canto, outra voz me falando coisas bonitas, seria eu a estar com uma outra vida?
Eu ainda estou aqui. As vezes acho que é o melhor lugar.
Outras tantas vezes já me senti desconfortável em mim.
Segurando as mãos erradas, escolhendo o mais seguro ao invés de reencontrar as coisas que realmente me fizeram sentido na minha vida.
É a mesma sensação.
Fechei a porta pra tantas pessoas que já perdi as contas.
Algumas delas, talvez as que mais amei.
Se eu perdi? Sim, eu me perdi muitas vezes.
Mas hoje eu estou exatamente aonde eu gostaria de estar.
Meus planos e as minhas malas feitas, desde criança.
Eu deixei o tempo e a mágoa me acorrentar perto das coisas que mais me assustam.
E eu deixei alguém partir.
Fiz as minhas escolhas. Algumas delas foram feitas por mim, continuei. os outros também.
Continuo aqui, repetitiva nos meus erros cronicos de avaliação das situações.
Quando finalmente achei que estava aonde queria estar, me vi mais uma vez querendo atravessar a rua e seguir pelo caminho oposto dos erros alheios e simplesmente me alienar dos meus próprios.
Quando minha vontade sempre foi dar um abraço e esquecer de tudo. Impossível.
Não me culpo mais. Não culpo mais os outros pelas situações.
Vou seguindo, ainda.
As vezes eu caio em mim e me encontro. As vezes eu ainda me vejo distante de mim e perto de alguém.
Mas esta não sou mais eu.
Eu sou aquela pessoa que ainda está lá e aqui.

segunda-feira, junho 08, 2009

[minhas almas amigas]




O tempo é sempre implacável.
Eternas despedidas, retornos inesperados. Flores, beijos, bilhetinhos meu amor infinito pelas minhas velhinhas que formaram a minha parte boa.
Estes adeus são os mais dolorosos. De pessoas raras como elas foram para mim.
É uma saudade boa. As vezes aperta mais, confesso.
E o desejo de encontrá-las nos sonhos, poder contar os meus medos, me aninhar no colo delas e simplesmente chorar, sem julgamentos. Só amor e o abraço que elas me davam, cumplices da minha vida, meu espírito e de toda a lealdade que há no mundo.
Minha vó Diva, da "minha Lola", da minha vó postiça Elenir...
Cada uma com sua maneira, com um olhar especial, um carinho diferente.
Minhas almas amigas.
Minhas amigas.
E não há tempo que me faça esquecer do amor que eu recebi de cada uma delas.
Cada uma das minhas velhinhas especiais.
As despedidas são dolorosas, sempre serão. É um pedaço meu que vai com elas.
Mas a cada sonho em que as encontro, eu percebo que nunca estarei sozinha ou desamparada, porque eu tenho o maior amor do mundo aqui dentro de mim.
Minha melhor alma amiga ainda está aqui. Vó Zayde, minha amigona que mesmo na cama de um hospital, me manda beijos no ar e me conta o quanto eu fui esperada por ela.
Me acorda no meio da madrugada para me pedir um abraço e um beijo.
Esta é a melhor coisa do mundo. Ela é o meu mundo, meu amor, minha leal companheira de tantos colos e conselhos.
E enquanto seus olhos coloridos estiverem me olhando com tanto carinho, eu estarei ao seu lado para dizer que ela é o meu orgulho.
Eu continuo não sabendo me despedir, mas eu sei que estes amores são os eternos em mim.
Só posso terminar este texto cheio de lágrimas boas, agradecendo a cada uma destas minhas almas amigas por eu ser tão amada. Um beijo, amo vocês.

segunda-feira, junho 01, 2009

[mais um inverno]


Enquanto tudo estava desabando, corações quebrando em pedaços afiados, o estranho frio atravessando nossos poros e a manhã cinza batendo na janela, ele corria para dentro.
Era estranho lá. Fechado, sombrio.
Ele caminhava por aquele lugar árido em busca das pequenas lembranças que pudessem resgatá-lo de volta à tona.
Toda vez que vinha à tona, ele pensava que a melancolia que havia dentro dele era tudo o que realmente pertencia ao seu coração.
Então ele corria novamente.
Gelava a pele contra o vento, contra cada espaço que ainda restava das manhãs felizes, do cheiro de outro alguém que ainda se escondia no travesseiro, de poemas escondidos na gaveta.
Abria a porta, deixava o inverno entrar e congelar tudo outra vez.
Passava pela rua aonde morava aquela pessoa, desviava pouco o olhar com medo de encontrá-la no portão.
Roubava pequenas frases na esperança contida de não haver ninguém naquele coração, não por egoísmo, mas por preferir não ver o sorriso apaixonado que um dia foi dele, olhando os olhos de outra pessoa.
Horizontes não o contentam mais. Paralelos cabem mais.
Um bom conhaque para tentar esquentar o pouco que restou.
Tentar abraçá-la em sonho já não adianta mais, pois ao abrir os olhos e ver que o outro canto está frio só o deixa mais vazio por dentro.
Ele pensa em telefonar. Pensa em contar o seu dia e as suas vontades, mas e se ela não atender?
Ele tenta esquecer, mas quando vê alguém parecido na rua, frio na barriga é inevitável.
Será que ela ainda se lembra das promessas que eu quebrei?
Será que ainda chora por eu ter sido cruel e leviano com seus sentimentos?
Então ele pensa em encontrá-la por acaso, mas o acaso não ajuda.
Ela sumiu, se foi. Ela correu também.
Correu para não correr riscos. Correu com o coração em pedaços e desapareceu de manhã.
Foi rápido, os meses arrastaram o inverno para perto.
E ele pensa se o tempo passou dentro dela ou se dentro do deserto que ela criou ele ainda vive também.