terça-feira, novembro 04, 2008

[Correios em greve]

Eu sei, escrevi tantas cartas pra você e não mandei nenhuma. Ensaiei as falas que eu diria pra você no dia em que te encontrasse, mas nunca mais disse palavra alguma. Deixei meus textos todos pelo chão junto com os pedaços de coisas que lembravam você.
Eu sei, não errei. Meu erro talvez foi ter dado passos largos pra longe de você. Ou ter deixado que a distância de uma calçada atravessasse nós dois.
Entre tantas coisas banais que dissemos, já existiu um "Eu te amo". Foi banal também. Mudei. Mudei o lado da calçada, mudei o cabelo, mudei a cor do meu coração pra um desbotado quase rosa. Pintei as paredes, tingi meus medos, ouvi músicas repetidas vezes e não encontrei uma frase sequer pra te contar o que eu sentia.
Pintei as unhas de vermelho, repiquei o cabelo, fritei nuggets no óleo quente, caminhei pelo centro com as mãos vazias. Tatuei o corpo, escovei os dentes e suspirei antes de dormir.
Esperei cartões postais que nunca chegaram, pendurei quadros nas paredes que eram vazias. Atravessei as noites vazias e você nunca voltou. Talvez nunca tenha ido. Talvez nunca tenha existido além dos meus planos.
Chorei vendo filmes tristes, e em alguns felizes também.
O certo é que a distancia nunca foi maior do que o nosso afastamento. Seja por falta de amor ou por ele ter sido tão banal quanto contar meu dia.
Contei meus dias de par em par pra passar mais rápido. Passaram rápido demais, nem deu tempo de te entregar alguma carta de amor.

3 comentários:

Ana Braun disse...

Tem tanta carta que eu não mando...

(às vezes parecemos tão iguais.)

carol~ disse...

tenho tantas folhas soltas e perdidas aqui dentro, (de mim). com todas aquelas frases ensaiadas que não foram ditas.



o tempo passou e agora são só cartas a ninguém.

Joseph disse...

Canetinha... O que essa caneta escreve e de ficar de cara.