sábado, fevereiro 17, 2007

Crescer [A evolução da Bic]

O que quero ser quando crescer? Aos sete anos eu queria ser trapezista. Aos nove, queria ser ginasta. E fiz muito pra isso, uns seis anos de profissão até a notícia: teria de tomar hormônios pra parar de crescer pra continuar a carreira. Minha mãe decidiu que não. Resultado: magra como uma modelo, porém não tão alta quanto uma.

Tudo bem, nove anos ainda são pouco perto da vida que teria pela frente. Desde então fui uma estilista de Barbies frustrada,(sim, eu ganhava as bonecas e detonava com as roupas, cabelos e tudo mais que uma boneca possui) fui também uma excelente representante de sala,(por sinal, minha mãe foi tantas e tantas vezes no colégio ouvir da coordenadora que eu era a líder negativa da turma). Queria ser cientista, veterinária, professora, médica.

Tentei ser uma escritora de sucesso,mas os professores nunca acreditaram que uma pirralha como eu poderia escrever versos tão profundos.

Pensei em várias coisas, até que o acaso fez eu marcar a opção de Marketing na ficha do vestibular. Passei, cursei dois anos felizes...até que a dúvida (sempre ela!) invadiu meu ser. Marketing? Pra quê? Sempre acham que eu passaria quatro longos anos na faculdade pra virar vendedora de alguma coisa, Ou até uma atendente de telemarketing, daquelas que ligam nas horas mais impróprias pra vender TV a cabo ou fazer cobranças de dívidas...

Hoje eu posso dizer que amo Marketing. Mas eu penso sinceramente em também ser astronauta, jogadora de sinuca, atriz da Malhação, cantora de boteco, mochileira pela Europa, fotógrafa, lixeira, índia, estrela de cinema, freira, kardecista, indigente, bailarina, garçonete, eu...

Foi tão difícil fazer a minha rematrícula esse ano. É tão difícil chegar ao final iminente de algo sem saber o que realmente queremos...e eu não sei...eu queria estar em tantos lugares...tantos países, fazendo tantos cursos, conhecendo gente, sentindo saudades de casa...

Isso me faz pensar que realmente acredito em outras vidas, por dois motivos básicos. O primeiro é que tenho certeza que as pessoas que surgiram ultimamente no meu caminho, não apareceram por acaso, a outra é que simplesmente não acho justo que eu não possa fazer tudo o que quero da vida.

Família cobra demais, por mais que não exija tanto. Os amigos se formando, pessoas tomando o rumo de suas vidas, as coisas acontecendo à minha volta...E eu sinto que eu estou no auge da minha juventude, hora de fazer vexames, de ver as cenas mais engraçadas, de ter os amores mais platônicos, de mudar o quanto eu quiser. Mas mesmo assim eu me sinto na responsabilidade de construir alguma coisa sólida, fazer as coisas darem certo, de me destacar, ser a melhor.

Outro dia ouvi uma frase que me perturbou um pouco. Um amigo que mal saiu de um namoro disse: não vou mais ter um relacionamento, porque estou com 24 anos e esta é a minha última chance de ter algo sério de verdade.

E eu penso: num mundo onde a qualidade de vida aumenta a cada dia, que os velhos ficam mais velhos e as pessoas se cuidam cada vez mais, ainda é justo cobrar de uma criança de 16, 17 anos o que ela quer pro resto da vida?

Eu não sei o que quero com 22, e realmente não sei se vou ter essa resposta tão cedo. Isso me deixa triste, com um peso enorme nas costas. Acho que todos temos uma vocação, um dom, uma habilidade. Todos sabemos, mais dia, menos dia porque estamos neste mundo. Mas e se amanhã eu resolver ser trapezista?

Não sei. Ninguém sabe. E eu ainda durmo pensando no que eu quero ser quando eu crescer...

3 comentários:

Sara disse...

\o

Meu, gostei.

o.O

Tell Her No disse...

sinto por tudo ter acontecido mto rapido na minha vida... colégio, cursinho, faculdade e acabou! passou voando!

estou formada.... consegui o que tanto queria.... e agora não sei se era mesmo o que eu queria!
Aaah! Também... será q algum dia eu vou saber o que quero?

talvez seja esse o problema... querer, querer, querer! eu quero um emprego! eu quero um carro! um apartamento! eu quero um namorado! eu quero sair daqui! eu quero mudar!

A gente nunca ta satisfeito com o que tem! E nunca vai estar... porque hoje a gente quer isso... amanhã já estamos querendo outra coisa...

Daniel Schuchter disse...

Bic...

arrasando nas palavras como sempre.